Carlos Eduardo Moura | blog

1 November 2008

Gente insuportável

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 12:35

Acho um porre pessoas que querem representar uma classe, em vez de representarem a si mesmos. Jornalistas com MTB debaixo do braço, negros de “carteirinha”, gays que defendem uma “bandeira” são uma gente chata ao extremo. Insuportáveis.

Esses dias, assistindo ao Jornal da Globo, vi uma reportagem sobre os negros de Chicago, mais precisamente da região onde Barack Obama nasceu. Entoavam uma música: “Quem for negro e não votar em Obama, perderá sua carteirinha de negro”. Dizer o quê? Tem que ter carteirinha agora?

Na disputa Kassab x Marta houve algo parecido. Diante das fatídicas perguntas “É casado? Tem filhos?”, no programa eleitoral martista, houve uma grita contra. Marta sempre foi uma espécie de defensora dos gays e oprimidos (no que está certa), por isso a estranheza e a ralhação geral. Insinuava-se, na propaganda, que Kassab seria gay e, por isso, teria menos capacidade para ser prefeito. Uma besteira, é claro.

Os defensores de Marta (alguns dos “blogueiros com Marta”) rebateram acusando “hipocrisia” da mídia (é sempre fácil desviar do assunto e acusar alguém de hipocrisia, né?). Marta disse que não sabia da propaganda (a la Lula). Alguns blogueiros chegaram a pedir, pelo bem da causa, que Kassab assumisse.

Quanta bobagem.

20 September 2008

Algumas palavras sobre Lula

Filed under: História, Brasil, Egotrip, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 2:30

Vou dizer em poucas palavras o que penso do presidente Lula. Segurem-se.

Escrevo este texto por dois motivos: pelo texto de Rafael Galvão (que não leio, mas foi linkado em alguns blogs que leio) e pelas declarações de Lula sobre o casamento gay.

Sobre o casamento gay. Eu acho que cada um faz o que quiser de sua vida, desde que siga condutas minimamente aceitáveis por todos - como, sei lá, não matar, não roubar etc. Não precisa nem ser educadinho e gentil.

Se dois homens e/ou duas mulheres querem casar-se entre si, ok. São livres para fazer o que quiserem. Não é o Estado ou uma religião que deve proibi-los. A religião até pode dizer: “Olha, isso não é legal, você vai pro inferno”, etc. e tal, porque uma religião segue quem quer. Não tem efeito legal nenhum, num Estado laico. Mas o Estado não pode ter o direito de interferir na vida das pessoas.

Sobre o texto do Galvão (haaaaja coração…!). Acho que o maior mérito do Lula foi não ter feito nenhuma bobagem na economia. Seguiu a política de FHC que vinha dando certo - de cabo a rabo. Deixou técnicos no Banco Central e botou lá um bobão feito o Guido Mantega pra fazer figuração no Ministério da Fazenda. Ok, faz parte. Ainda bem que Lula perdeu as eleições anteriores a 2002 que disputou. Imagina o Lula querendo estatizar os bancos…

Diz o Galvão: “Ao longo dos últimos seis anos, assisti à oposição fazer de tudo para desacreditar o presidente que eles não conseguiram derrubar”.

À oposição cabe fazer oposição. O PT passou bons anos fazendo isso, de forma tosca muitas vezes - quem se lembra das críticas ao Plano Real? Era torcida contra mesmo. Mas se renderam, depois. Não acho que a oposição quis derrubar Lula. Sempre há as exceções. Mas, no geral, havia a tese do “vamos deixar Lula sangrar”. Sangrou, não caiu e ainda por cima voltou mais popular. Faz parte do jogo.

Aliás, registre-se aí que, no auge do mensalão, Lula pedia a Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, para “conversar com o Fernando Henrique”, para tentar esfriar as coisas. E FHC atendeu aos pedidos e, realmente, deu uma esfriada na coisa. Fico tentando inverter isso e não consigo imaginar Lula pedindo menos ímpeto de seus correligionários. Isso me lembra Tarso Genro gritando e pedindo a renúncia de FHC… golpistas, sei, sei.

“Chamaram-no de despreparado — e com o ele o Brasil passou a ter uma proeminência internacional que está matando Fernando Henrique Cardoso de inveja e despeito, aos pouquinhos”.

A gente podia dar uma incrementada na frase acima, sei lá, sugestão: “Chamaram-no de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam o país inteiro em puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”. Que tal?

O Brasil vem crescendo, se desenvolvendo e ganhando “proeminência internacional” não por conta de Lula, e sim por conta de um processo, lento, que teve início no governo Collor, quando o país se abriu ao mundo. Lula vem dando seqüência. Poderia até dizer que o Brasil cresce “apesar do Lula no governo”, mas hoje já não é mais por aí.

“Chamaram-no de analfabeto — e ele criou o ProUni.”

O que tem a ver uma coisa com outra? E o ProUni, bem, o ProUni… aquele projeto que paga faculdades fundo-de-quintal para receberem alunos de baixa renda, negros e indígenas, que não teriam condições de entrar nas federais ou nas boas particulares. Sou totalmente contra. Mas acho que não vem caso discutir isso agora. Fica pra uma próxima.

“Lula venceu. E a oposição jamais vai conseguir admitir que, do pedestal de sua arrogância, de sua escolaridade, perdeu para um pau-de-arara de Garanhuns, que mostrou que não era ela a mais preparada para dirigir um país do tamanho do Brasil. E por não entender isso, por discordar do projeto de país encabeçado por Lula, essa oposição se perdeu completamente, pregou o golpe às vésperas da eleição, apostou na mentira e no engodo, se recusou a admitir que o país estava melhorando.”

Lula venceu e governou. A oposição aceitou e faz - porcamente, vá lá - oposição. Não vi - mais uma vez - pregação de golpe. Esse pessoal adora deixar as coisas mais heróicas e dramáticas. Menas, menas. Só falta dizer que Lula precisou pegar em armas para ir para o poder. Lutou semanas contra a oposição raivosa e golpista, combateu e foi combatido, sangrou e fez sangrar, matou e morreu um pouquinho (é highlander), mas sobreviveu e mudou a história do Brasil. É isso aí mesmo. Bem por aí. Nunca antes na história deste país tivemos um presidente tão corajoso e gostosão - só o Gegê chegou perto.

“…eu aproveitava para tirar fotos da bundinha do presidente.”

Preciso comentar?

“Tem a ver com uma posição tomada que, mais uma vez, me deu orgulho do presidente que tenho, em quem votei e de cujo projeto indiretamente faço parte. Lula foi o primeiro presidente a dizer que é a favor da união civil de homossexuais, e a Igreja que se vire com isso. Eu tenho orgulho de ter um presidente como Lula.”

Olha, não vou pesquisar se outros presidentes disseram isso ou não. Mas ter orgulho de político? Pedro Sette Câmara escreveu a frase perfeita: “O que me parece pueril e vergonhoso é o fervor que se pode sentir por um político” (ele escrevia sobre Sarah Palin e Barack Obama). É isso.

Além disso, o que mais dá pra falar? Lula é craque em soltar pérolas. “Nunca antes na história desse país…”, e tome discurso populista sobre qualquer assunto possível: petróleo, educação, saúde, moradia, segurança, política externa, futebol etc. Quantas vezes você viu FHC falar de “herança maldita”? E olha que ele tinha motivos. Depois do furação provocado por Collor, o país estava fodido, basicamente - a inflação anual chegou a 2.477% em 1993. Em 98, a inflação chegou a 1,6% por ano.

Para muitos defensores de Lula, parece que figuras como Delúbio Soares, Silvinho “Land Rover” Pereira, Marcos Valério e Duda Mendonça nunca existiram. É tudo conspiração da elite pra derrubar o operário na presidência. E o Meirelles no Banco Central, hein? Não era pra ser a Maria da Conceição Tavares? Tadinha dela…

Acho um tédio ainda ficarmos discutindo isso. Tchau.

8 September 2008

Notas futebolísticas

Filed under: Futebol, Brasil, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 1:14

1
Dunga acertou na escalação do Brasil que entrou em campo contra o Chile, no último domingo. Temos sempre que dizer o quanto o ex-volante e técnico é medíocre, mas não se pode dizer que tenha feito bobagem neste último jogo.

Na defesa, fez o de sempre: dois zagueiros e dois laterais, que sobem só um pouquinho e revezados; no meio, mudou um pouco: jogou com dois volantes (em vez de três) e jogou com dois jogadores criativos, Diego e Ronaldinho Gaúcho, embora o ex-santista tenha ficado mais recuado e ajudasse na marcação, enquanto o ex-jogador do Barcelona subia mais e jogava na ponta-esquerda. No ataque, Luís Fabiano mais à frente e Robinho vindo de trás.

2
Dunga também acertou ao tirar Ronaldinho do time. Fiquei me perguntando se ele faria isso, mas teve coragem e fez. Palmas pra ele. Dá dó ver Ronaldinho jogar: não corre, não dribla, não dá um passe em profundidade. Precisa emagrecer e voltar a correr mais…

3
Dois destaques individuais na partida: Luís Fabiano e Robinho. O primeiro jogou muito bem, fazendo dois tentos e dando passe pro gol de Robinho, que costuma jogar bem com a seleção, mas peca em algumas jogadas e não tem chute forte. Aliás, se ele quiser ser o melhor jogador do mundo, como diz por aí, precisa fazer mais musculação nos cambitos e chutar forte. Aqueles chutinhos dele não são de nada.

4
Gilberto Silva deveria nunca mais jogar pela seleção (junto com Kleber). Josué ainda dá um caldo, rápido e cirúrgico em algumas roubadas de bola. Mas eu ainda acho que Hernanes será o grande nome dessa posição em pouco tempo, e não o super-estimado Anderson.

5
Lula fez a crítica certa à seleção, ou seja, que eles eram um bando de vagabundos que não correm quando perdem a bola e não mostram raça em campo. No domingo, o time jogou diferente. Precisa haver sempre essa pressão em cima pra mostrar raça? Bando de vagabundos!

Agora, não acho que Lula saiba mais de futebol do que Dunga. A mediocridade se equivale, nesse caso; tenho quase certeza.

6
Passada a turbulência, acho que Dunga será o técnico do Brasil na próxima Copa do Mundo. Infelizmente, a cada dia tenho mais certeza disso. Fazer o quê…?

7
Eu ainda acho que o melhor esquema tático para o Brasil é outro, um 3-5-2 – mas agora estou com preguiça pra escrever mais…

5 September 2008

Quatro anos sapateando

Filed under: Brasil, Vídeos, Política — Carlos Eduardo Moura @ 11:04

Excepcionais os vídeos criados pela W/Brasil para o TSE para as eleições deste ano. O conceito dos vídeos é: “Quatro anos é muito tempo. Principalmente quando as coisas não vão bem. Por isso, antes de votar, pesquise o passado dos candidatos. Porque são eles que vão cuidar da sua cidade nos próximos quatro anos”.

Num deles, Lúcio sapateia sempre que fica nervoso; Mariana anda em círculos sempre que está com pressa; Mário convive com uma abelha dentro do ouvido há quatro anos; e João Paulo sempre se emociona com o toque do seu celular.

Idéias e produções fantásticas.

10 June 2008

É pra saúde

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 10:11

Com a desculpa esfarrapada de compensar as perdas com o fim da CPMF, governo e aliados querem criar um novo imposto: a CSS, a Contribuição Social para a Saúde. O principal argumento é este: com o fim da CPMF, a área da saúde ficou sem grana. A CPMF tributava em 0,38% as operações financeiras – deste porcentual, apenas uma parte era destinada à saúde.

Com a CSS, quer se tributar sei lá mais quantos porcento (0,10%, salvo engano). “É pra saúde, que ficou sem dinheiro graças à oposição que derrubou a CPMF”, dizem os aliados.

Eles só esquecem de dizer que, para compensar o fim da CPMF, o governo aumentou, no comecinho do ano (no dia 2), uma batelada de impostos: aumentou em 0,38% as alíquotas de IOF (para operações de crédito e câmbio) e duplicou o mesmo imposto para operações de crédito a pessoas físicas. Além disso, aumentou de 9% para 15% a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro.

Quer dizer, a CSS é uma cascata enorme. E tem gente que engole, “pois o dinheiro é pra saúde, e com saúde não se brinca”. Pfff, tá bom.

29 April 2008

Ficou bravo

Filed under: Brasil, Nonsense, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:31

Nada como lembrar quem são e como agem algumas pessoas…

7 April 2008

Veja e Nassif

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 11:30

Há algumas coisas engraçadas nessa discussão sobre o jornalismo praticado pela revista “Veja”. Luís Nassif vem publicando uma série de textos sobre a revista. E muita gente vem saudando como “jornalismo independente”. Na série, Nassif denuncia muitos “jogos de interesse” por trás das matérias. Em algumas coisas, até acho bem provável o que ele diz. Noutras, pura bobagem.

Nassif também tem interesses por trás, cabe destacar. Trabalha pro iG, cuja controladora é a Brasil Telecom, que vive às turras com Daniel Dantas. O que faz Nassif? Solta a lenha em Daniel Dantas e suas “relações com jornalistas” de “Veja”. Elementar. Seguindo sua lógica, também poderíamos supor que escreve “a soldo” de interesses escusos.

E há mais. Em uma coluna em “Veja”, Diogo Mainardi revelou que Nassif havia publicado um texto com trechos idênticos (até nos erros) a um release emitido por Luiz Roberto Demarco (dono da tal “lojinha do PT”), que também está na briga com Daniel Dantas. Nassif viu sua credibilidade cair, e muito, por conta deste episódio. Foi inclusive demitido do jornal “Folha de S. Paulo”.

Na série sobre a “Veja”, Nassif pinta Mainardi como jornalista inexperiente (“jornalista sela”, que monta em qualquer coisa), sugerindo que faz o jogo de Daniel Dantas ou por ser ingênuo ou por agir de má-fé, mesmo. Vai dizer que isso não é vingança?

Apesar de eu não ser leitor de “Veja” – leio apenas as colunas de Mainardi e eventualmente uma ou outra coisa -, acho que ela cumpre importante papel neste governo Lula. É a única que parte pro confronto direto.

Como já disse aqui uma vez, “Veja” faz jornalismo e toma partido. Não vejo nenhum problema nisso. “CartaCapital” também o faz, e não vejo seus leitores reclamando disso. Pelo contrário.

“Veja” pega pesado, algumas vezes? Pega, sim. Acho saudável, até, perante este governo.

9 February 2008

JP Coutinho entrevista Mainardi

Filed under: Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:29

Puro ouro a entrevista que JP Coutinho fez com Diogo Mainardi. Aliás, Coutinho, escondido na Pensata da Folha Online, escreve, quinzenalmente. Uma das melhores colunas publicadas no Brasil.

É um dos meus desportos favoritos: chegar ao Brasil e falar, em tom blasé, de Diogo Mainardi. “Você leu a coluna dele na Veja? Muito boa”, digo eu. O meu interlocutor cai num silêncio sepulcral. As veias do pescoço vão inchando como em certos filmes de vampirismo. O sangue concentra-se todo na cabeça. Os olhos, vermelhos e irados, saem das órbitas. A boca espuma. Os queixos tremem. (…)

Você não acha que a corrupção, para os brasileiros, não é tão grave como seria para os europeus?

Corrupção é fruto de falta de democracia. Quanto mais avançada é uma democracia, menor o risco de corrupção. Uma imprensa independente ajuda a vigiar a classe política. Um judiciário independente também. Até a arte tem um papel no combate à corrupção. Ela oferece à sociedade ferramentas como iconoclastia, humor, visão crítica, senso estético, senso de proporção, agitação intelectual, inquietude existencial tudo isso aumenta nossa desconfiança e nossa insatisfação em relação às pessoas em geral e aos políticos em particular. (…)

Eu estive no Brasil em dois momentos marcantes dos últimos anos: quando o mensalão estava no auge e nas últimas eleições. E fiquei pasmo com pessoas educadas, fluentes e letradas que diziam que votariam em Lula, não em Alckmin?

Pessoas educadas, fluentes e letradas que votam em Lula? Não conheço. Acho que você está freqüentando demais os jornalistas da Folha de S.Paulo.

18 December 2007

Quebra-pau Mainardi x Amorim

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:25

Fato é: eu adoro um quebra-pau.

Paulo Henrique Amorim, o baixinho do iG,  está processando Diogo Mainardi, nas esferas cível e criminal. Ontem, eles se encontraram, na frente da juíza, para tentar acordo. Não rolou, obviamente.

Trechos do site Consultor Jurídico:

“Perdi! Não vou conseguir metê-lo na cadeia!” A frase foi dita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim ao sair da sala de audiências da 1ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros, em São Paulo. Amorim, blogueiro do portal iG e animador de programas da TV Record, queria colocar na cadeia o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, porque este escreveu que ele, na fase descendente de sua carreira, foi contratado pelo portal iG por R$ 80 mil e se engajou pessoalmente “na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”.

(…)

“Eu não o processo quando você me chama de caluniador e fascista em seu blog”, disse Mainardi a Amorim. “Ou a minha credibilidade não é atingida quando você escreve que eu sou fascista?”, questionou. “Mas isso é opinião, não matéria de fato”, respondeu Amorim. “Então, o que você diz é opinião e o que eu digo é fato? Ok, assino embaixo”, ironizou Mainardi.

(…)

Para se vitimizar, Amorim fez a única coisa que não gostaria de fazer: reconheceu o sucesso do inimigo.

(…)

“Reagi dessa maneira porque nunca antes fui ofendido dessa maneira”. Mainardi foi gentil: “Obrigado, pelo espetáculo”.

9 December 2007

O baixinho do iG ataca outra vez

Filed under: Brasil, Nonsense, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:28

Prometo que esta é a última vez que falo neste blog de Paulo Henrique Amorim, o baixinho do iG. Ele me saiu com uma tirada tão espirituosa dia desses, que não resisti. Vou agrupar num parágrafo só pra agilizar:

“O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso chamou o Presidente Lula de analfabeto. Disse que o Presidente Lula não sabe falar a Língua Portuguesa (clique aqui). Como no Brasil, quem é analfabeto é pobre, negro e nordestino… E como, no Brasil, quem não sabe usar a Língua Portuguesa é o pobre, o negro e o nordestino, Fernando Henrique Cardoso é racista e tem preconceito social…”

Primeiro achei que era uma ironia, até pelas reticências…, mas depois vi que era meio sério o negócio, porque num outro texto PHA diz que mandou esse texto brilhante para a Universidade de Brown, onde FHC é professor: “O Conversa Afiada achou recomendável encaminhar este Máximas e Mínimas e todos os que aqui se referiram ao racismo e ao preconceito do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao diretor, aos professores e aos alunos do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, onde FHC é “professor at large” e posa de estadista”.

Voltando ao primeiro texto: FHC disse que Lula não usa direito a língua portuguesa. FHC não disse que Lula é analfabeto. Analfabeto é quem não sabe ler e escrever. Tem muita gente que fala errado, mas não é analfabeto, sabe ler e escrever. Lula não é analfabeto, embora pareça (ok, péssima piadinha, reconheço…).

No resto, tirando as vírgulas fora de lugar, a seqüência que fala que quem não sabe usar a língua portuguesa “é pobre, negro e nordestino” e que, portanto, FHC é racista e tem preconceito social, é de uma lógica límpida, cristalina. Brilhante mesmo.

Paulo Henrique Amorim não sabe o que quer dizer analfabetismo e racismo. E ainda quer posar de jornalista moralmente superior.

Ao receberem o raciocínio torto de PHA, o diretor e os professores da Universidade de Brown devem ter gargalhado do infantilismo do nosso baixinho.

4 December 2007

Entrevista com Diogo Mainardi

Filed under: Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 7:49

Diogo Mainardi: “Lula prefere o conchavo, sempre. A reação preferida dele é a de compra e venda”

Liguei para a casa de Diogo Mainardi às duas e meia da tarde do feriado da Proclamação da República. Uma moça, provavelmente a empregada da casa, atendeu e avisou-me: “O Diogo está dormindo”.

Fui imediatamente jogado para uma de suas colunas, na qual ele diz que passaria boa parte do segundo mandato do governo Lula dormindo: “Tenho dormido muito. Durmo antes do almoço. Durmo depois do almoço. Cochilo meia hora no fim da tarde. Durmo profundamente a noite toda. A idéia é transcorrer os quatro anos do segundo mandato lulista na cama. A lógica é simples: uma hora a mais de sono significa uma hora a menos de Lula”. Temi pela entrevista.

Por sorte, ao ligar novamente uma hora depois, foi o próprio Diogo quem atendeu ao telefone. Simpático, com uma leve tosse a lhe interromper as respostas, ele discorreu sobre o governo Lula, imprensa, Congresso Nacional e aspectos culturais do país.

O trecho da coluna acima, e outras 94, publicadas entre março de 2005 a setembro de 2007, estão presentes no recém-lançado “Lula é Minha Anta” (Record). Os textos, que trazem adendos e explicações de contextos, compõem uma radiografia do que foi o governo Lula nos últimos anos. Quando se quiser estudar a fundo o que de tenebroso aconteceu no período, as colunas de Mainardi serão fonte obrigatória. O que veio antes, desde que Mainardi se tornou colunista de “Veja”, no carnaval de 1999, está em “A Tapas e Pontapés” (Record).

Mainardi se tornou figura de destaque durante o governo Lula. Quando, no início do primeiro mandato, boa parte da imprensa entusiasmava-se com Lula no poder, Mainardi tratava de criticar ferozmente os jornalistas e os petistas. Brigou e polemizou com meio mundo.

Colunista mais lido e comentado de “Veja”, Diogo Mainardi, 46, casado e pai de dois filhos, escreveu quatro romances (“Malthus”, “Arquipélago”, “Polígono das Secas” e “Contra o Brasil”) e dois roteiros cinematográficos (“16060” e “Mater Dei”). Além da coluna, Mainardi produz um podcast semanal para o site de “Veja” e participa do programa de debates Manhattan Connection, no canal a cabo GNT.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Durante os últimos três anos, seu esporte preferido foi a caça ao Lula…
Diogo Mainardi –
Eu já estou indo pro quinto ano. Eu comecei em 2002 tentando desmoralizá-lo.

Você se sente frustrado por ele ainda estar no poder e ter certa popularidade?
Não, eu não sou político, não estou atrás do efeito do meu trabalho. Não sou eu que tenho que tirá-lo de lá, não sou eu que tenho que fazer também todas as apurações. Não posso pôr ninguém na cadeia, infelizmente; não posso processar; não posso violar sigilo bancário. Eu tenho as armas de que disponho: a curiosidade, o interesse e certo temperamento avesso a mistificações. E alguns instrumentos pra tentar chegar a alguma clareza sobre o funcionamento da política brasileira, de como a gente funciona, de como a gente se reflete na política.

Por que o Lula conseguiu se reeleger e ter ainda popularidade? As pessoas ficaram tão cansadas de ver escândalo, que acharam melhor deixar pra lá?
Houve um fato objetivo, uma proteção por parte da oposição e por parte da imprensa. Esse fato foi muito evidente desde o começo, quando o Lula estava lá embaixo. É uma mentira que a popularidade dele não tenha sido afetada pelos escândalos. No final de 2005, a popularidade estava lá embaixo. Ali se fez um cálculo, a oposição contou com a ajuda da imprensa, da academia, de todos os setores que sempre tiveram simpatia pelo PT e pelo Lula, e se tentou levar adiante a presidência até o final, sem envolvê-lo diretamente nos escândalos, para substituí-lo de maneira macia e sem expor a própria roubalheira da oposição. Havia muito medo, muito temor, de uma retaliação, que a investigação da roubalheira do PT recaísse sobre a roubalheira dos partidos que vieram antes. Como eles roubaram das mesmas fontes, era muito difícil chegar ao fundo da questão.

Ninguém queria que se apurasse nada.
Não, ninguém queria. Os interesses são cruzados aí, inclusive com as empresas nacionais. O que a gente tem no Brasil é um capitalismo manco. Algumas das maiores empresas, muitas das que participaram das privatizações, têm muito dinheiro estatal, que vem através de financiamentos do BNDES, do Banco do Brasil, dos fundos de pensão… Então, a promiscuidade é muito grande entre os nossos capitalistas e a política.

Qual vai ser a herança do governo Lula?
Igual a do governo Sarney, do governo Collor, do governo Itamar, do governo Fernando Henrique. Vai ser mais um período que será recordado como um buraco, mais um período em que o país não fez nenhum salto adiante, não olhou pra frente, não reformou o que tinha de ser reformado. Não trouxe novas idéias, não melhorou a visão que o país tem a respeito de si. Acho que é mais do mesmo. Serão oito anos que a gente empurrou as questões nacionais com a barriga.

Há possibilidade de um terceiro mandato do Lula?
Não acredito. Eu acho que se não houvesse risco algum, o Lula certamente optaria por um terceiro mandato. Mas ele não é uma pessoa de conflito. Nas tentativas que fez de controlar a imprensa, no primeiro mandato, por exemplo, quando a situação começou a apertar e houve reação do outro lado, ele puxou o carro. O Lula prefere o conchavo, sempre. A reação preferida dele é a de compra e venda. No caso do terceiro mandato, ele pode até conseguir, usando bem os canais de compra e venda, obter uma autorização ou modificação na Constituição para que possa concorrer ao terceiro mandato. Mas o custo vai ser tão grande, o confronto vai ser tão grande, que eu acho que ele não está disposto a enfrentar.

Você falava da imprensa, de como ela foi submissa nos primeiros meses do governo Lula. Você fez a famosa listinha dos jornalistas alinhados… (Mainardi apontou como governistas nomes como Franklin Martins, Tereza Cruvinel, Maria Helena Chagas, Paulo Henrique Amorim e Kennedy Alencar.)
Uma parte deles foi pro governo. Alguns perderam o emprego, outros foram pro governo. Alguns tentaram se desmarcar.

Você acha que a imprensa hoje está mais vigilante?
Sim. Ela está menos alinhada. Quando a gente fala que a minha luta foi infrutífera, eu acho que, claro, o Lula está aí, foi reeleito e ainda é muito popular, mas no nosso ambiente sabe-se exatamente o que é Lula. E a imagem romantizada que havia a respeito dele não existe mais. Então, ele perdeu uma aura que lhe garantia a intocabilidade. Nesse ponto, a imprensa está mais atenta. Mas, por outro lado, existe uma falta de curiosidade pra investigar o governo, e às vezes até falta de material humano, que impedem qualquer tipo de reação mais articulada aos desvios do poder.

Você chegou a ir ao Congresso Nacional. Como são os nossos políticos?
Eles são tão ruins quanto a gente poderia supor a distância. A minha viagem foi totalmente inútil, porque eu não precisava ir ao Congresso pra ver como eles são ordinários. Você não precisa empreender essa viagem, colocar paletó e gravata e agüentar o salão verde, ou o azul, aquele carpete… Você pode ver essas coisas a distância. Acho o contato com eles bastante nocivo, para os profissionais de imprensa sobretudo, porque cria vínculo pessoal, e vínculo pessoal em política é sempre danoso.

O Congresso é um espelho bastante acurado do Brasil?
Ele reflete o que a gente tem de pior, sem dúvida. É um reflexo do Brasil. O Congresso consegue concentrar o que nós temos de mais retrógrado, de mais burro, de mais inescrupuloso.

Você escreveu que “Tropa de Elite” encerrava uma discussão. Por quê? Aliás, o que você achou do filme?
O filme eu achei bastante medíocre, leva uma hora pra começar. Muita enrolação de lingüiça. Na primeira hora, o filme é bastante médio. Não me entusiasmou. Mas, na questão da violência, o que me incomoda é que se considere solução tudo o que não é solução, tudo o que é periférico, secundário. É um ponto que eu venho insistindo há muito tempo. Quando aparecem explicações pro fenômeno da criminalidade no Brasil, ou soluções que não envolvem repressão, polícia, cadeia, eu tento desmontar essas teses, porque elas são contraproducentes. Elas acabam insuflando a violência. Quando você aponta as soluções erradas, tipo programas sociais, Bolsa Família, diminuição de desigualdade, ou todo esse tipo de papo furado. Quando você começa a enfrentar as questões práticas do combate à criminalidade e da violência com polícia, cadeia, legislação rigorosa e aplicada com rapidez… Esses pontos não são tão complicados assim. A gente perdeu vinte anos com planos mirabolantes pra resolver a hiperinflação. E existe uma questão técnica ali, que quando foi enfrentada de maneira menos criativa deu resultado. Os problemas parecem muito maiores quando as soluções apresentadas são falsas. Quando as soluções apresentadas são mais simples e mais diretas, costumam funcionar melhor.

Existe uma característica geral do caráter do povo brasileiro?
Eu comentei num podcast com o Reinaldo Azevedo uma pesquisa do Instituto Ipsos, que mostra que 50% dos brasileiros nem sabem apontar o Brasil no mapa-múndi. Então quando a gente não sabe nem de onde vem, é difícil tratar o país como uma entidade fechada. Eu acho que a gente é esse troço aqui, a gente é um país subdesenvolvido, com idéias atrasadas. E quem puder sair daqui faz muito bem.

O Brasil é um espelho da colonização, do que foi feito no passado?
Ele certamente é o resultado do que se fez aqui, antes da colonização, durante e depois da independência. A gente é resultado de um monte de escolhas mal feitas, culturas retrógradas, de idéias regressivas, que criaram esse caldo de subdesenvolvimento.

O Brasil produziu gênios?
A gente tem uma literatura bastante melhor do que o país, por exemplo. A gente não tem uma literatura de nível internacional, mas é uma boa literatura, que retrata bastante bem o país. Alguns grandes escritores, e uma porção de médios, conseguiram criar uma língua, deram uma cara pro país, melhor do que o próprio país. São os mesmos de sempre, não vou ficar citando Machado de Assis e Lima Barreto, mas são os nossos autores, não vou dizer ninguém que não esteja editado pessimamente, com péssimas ilustrações, ou que não esteja em alguma edição de livros de bolso.

Thoreau disse que “o melhor go­verno é o que governa menos”, você concorda?
Não tem a menor dúvida. Mas é uma experiência que a gente ainda não teve. Está bem longe. E quando se fala em governo, é dinheiro. Quanto menos dinheiro estiver na mão do governo, melhor. É mais simples do que uma questão de formação do país, não é nada inatingível, não é nada que não possa ser atingido com um bom emagrecimento dos gastos do Estado. Você mede o excesso de governo pela quantidade de dinheiro que ele administra e o que faz com esse dinheiro. É mais simples do que uma questão toucquevilliana.

TRECHO
“Chegaram a atribuir motivos ideológicos à minha campanha contra o presidente. Não é nada disso. Tentei derrubá-lo por esporte. Há quem pesque. Há quem cace. Eu não. Prefiro tentar derrubar Lula. Ele é minha anta. Ele é minha paca. O fato é que atirei tanto, e em tantas direções, que acabei atingindo um monte de alvos. Virei o cacique Cobra Coral do parajornalismo.” (Diogo Mainardi, em “Lula é Minha Anta (240 páginas, editora Record, R$ 35,00), coletânea de artigos publicados na revista “Veja” entre março de 2005 a setembro de 2007.)

9 October 2007

Futebol de pedreiros

Filed under: Futebol, Brasil, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 10:42

É impossível assistir a um jogo do campeonato brasileiro e não sentir uma espécie de nostalgia de tempos passados - que eu não vivi, aliás. Ah, os tempos de Pelé, Rivellino, Garrinha, Gérson, Ademir da Guia, Sócrates, Falcão…

O futebol praticado hoje me lembra um pouco aquele futebol que eu joguei uma vez num sítio do meu pai. Um bando de gente correndo feito louco, dando caneladas e bordoadas uns nos outros. É porrada pra tudo quanto é lado. Até um São Paulo e Corinthians, que deveria ser um jogo de alto nível, é medíocre. Um Flamengo e Fluminense, então, é mais medíocre ainda.

28 September 2007

Record News

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:46

Ouvir o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus reclamar do “monopólio da informação” da Globo, quinta-feira, na inauguração da Record News, foi demais. Monopólio? Que monopólio?

O bispo (tratado como “senhor” na transmissão) reclamou da “injustiça” que a Globo teria feito com ele. Na hora de falar que a Globo mantinha monopólio, quase disse a palavra “manipulava”… ele se ressente do fato de a Globo ter noticiado a prisão dele, alguns anos atrás. O bispo deve se achar um santo.

“Fomos injustiçados por muitos anos nas mãos de um grupo de comunicação que mantinha e mantém, por enquanto, o monopólio da notícia do Brasil.” Injustiçados. O bispo Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. Quem já foi em um culto (nem precisa ir, basta ligar de madrugada na Record) sabe como o que eles fazem é nojento e extorsivo. Faz-se de tudo pra tirar dinheiro do povão.

E os bacanas acham demais o bispo ter um império de comunicação nas mãos. Achavam nojento as tramóias da Globo com os militares; mas acham normal o que o bispo faz. Devem até achar normal as demonstrações de intolerância por parte dos bispinhos de tevê da Record contra outras religiões. A Universal é uma máquina de explorar e capitalizar a ignorância.

As duas primeiras entrevistas da Record News foram emblemáticas: Lula e Renan Calheiros. As duas entrevistas foram no tom chapa-branca. É assim que eles querem combater o “monopólio” da Globo? Digo isso porque já fico com um pé atrás de todo veículo que, quando leva ao público seu primeiro respiro, trata de botar o governante da vez. É deprimente. O jornalzinho da cidade lança seu primeiro número, e quem vai pra capa? O prefeitinho. O vereadorzinho.

(E Fafá de Belém cantando o hino nacional foi algo extremamente constrangedor. Não pude deixar de notar, no público presente, aqui e ali caras constrangidas. Foi deprimente mesmo.)

A entrevista de Lula também foi patética. Lula agora só sabe falar mal de FHC, no estilo “nunca antes neste país”, “eles não fizeram nada”, “nós fizemos tudo”, “eles estão é com inveja”. A pérola: “FHC deveria estar feliz. Se tem um homem que deveria estar feliz, era ele, porque consegui fazer o Brasil que ele aspirou e não conseguiu”. Lula acha que as coisas acontecem da noite pro dia num passe de mágica (quando a notícia é boa, ele acha isso; quando as coisas não andam direito, dá um jeito de invocar o governo FHC). Ele já anda até dizendo que o principal responsável pela estabilidade econômica foi ele. Tem tolo que engole isso, ainda por cima.

US$ 7 milhões foi o investimento feito (pelo menos o declarado). De onde veio essa dinheirama toda? Com certeza não foi da Record. Veio do dízimo arrecadado pela Universal, supõe-se.

O “empresário” e “senhor” Edir Macedo é aquele flagrado em gravações nada santas, quando ensinava outros “bispos” da igreja como pedir dinheiro pro povo. O vídeo, que Edir Macedo tentou tirar da internet, está disponível no YouTube.

Você tem que chegar e se impor. “Ó, pessoal, você vai ter que ajudar agora na obra de Deus. Se você quiser ajudar, amém. Se você não quiser ajudar, Deus vai achar outra pessoa pra ajudar. Amém!” Entendeu como é que é? Se quiser bem. Se não quiser, que se dane! (…) O povo quer ver o pastor brigando com o demônio. (…) É isso mesmo: botar pra quebrar, vira cambalhota… Então o povo fica louco. É isso aí, é isso aí, entendeu como é que é?

Este é o homem que vai brigar contra o “monopólio” da Globo. Deplorável.

27 September 2007

Eu, Tutty Vasques

Filed under: Brasil, Política — Carlos Eduardo Moura @ 11:19

Primeiro, Franklin Martins foi para junto de Lula. Agora, foi a vez de Tereza Cruvinel.

Paulo Henrique Amorim já está ficando com ciúmes! Só se fala disso na Record.

O original, aqui.

13 September 2007

Estatais

Filed under: Brasil, Egotrip, Economia, Política — Carlos Eduardo Moura @ 7:50

Eu, num passado bem recente, era uma pessoa cheia de dogmas. Eu era jovem e idealista. Não concordava em ver “meu” país ser “vendido” a “preço de banana” por aí, que coisa. Eu acreditava que o Estado devia ser o dono de 100% de “nossas” riquezas. Eu acreditava que, no Brasil, um governo poderia ser ético, honesto e não usar as estatais em benefício próprio. Eu cheguei a acreditar que políticos queriam dirigir as estatais apenas pelo bom salário que receberiam. Vê se pode.

Essa lengalenga toda porque eu queria falar desse negócio de plebiscito da reestatização da Vale do Rio Doce, uma idéia tão sem cabeça, que me deu preguiça danada, mas eu resolvi mesmo assim tocar no assunto.

Em primeiro lugar, os que defendem essas estrovengas estatais acreditam piamente que isso seria melhor para o Brasil, pois uma estatal estaria interessada primeiro no consumidor, depois no lucro – ou melhor, uma estatal não precisaria ter lucro nenhum, podendo arcar até com prejuízos. Aí começa o problema: sem lucro, há sucateamento; com sucateamento, quem se dana é o consumidor.

Segundo: as estatais são fontes excelentes para os políticos arrumarem recursos para as eleições. Só não enxerga isso quem tem a visão embaçada por uma ideologia muito chinfrim. As estatais sofrem uma influência tremenda dos que estão no poder. São usadas por eles. É isso o que se quer? Quando você vê Lula dando a direção de Furnas ao PMDB (Luiz Paulo Conde), não é porque ele achou que o cidadão vai dirigir bem a empresa. Ele deu a direção porque foi pressionado a fazer isso. E aceitou a pressão. É assim que funciona – o presidente precisa amealhar apoios.

Quanto mais o Estado brasileiro se livrar dessas estatais pesadas, morosas, que só sugam dinheiro, melhor. Menos pressão e menos poder o Estado vai ter para fazer jogos sujos, chantagens e lobbies. É tão difícil perceber isso? Agora, obviamente eu não estou querendo dizer que tudo deva ser privatizado. O Estado tem um papel fundamental na vida de um país. Deve(ria) prover saúde, educação básica, cuidar das ruas, estradas, dar segurança, saneamento básico etc. a todos

Agora, queria citar alguns dados sobre a Vale. Num artigo no Estadão de domingo passado, Suely Caldas mostra alguns dados impressionantes:

Em 1997, ano da privatização, a empresa pagou US$ 110 milhões em impostos e dividendos. Em 2006, o número foi 23 maior: US$ 2,6 bilhões. De 97 a 2006, o número de funcionários aumentou 5 vezes, de 11 mil para 56 mil. As exportações triplicaram, de US$ 3 bilhões para US$ 9 bilhões. A produção passou de 100 milhões de toneladas para 250 milhões (ano).

Um número que eu achei impressionante: em 54 anos de controle estatal, a Vale investiu US$ 24 bilhões. De 2001 a 2006, ela investiu US$ 44,6 bilhões. O dobra, praticamente, em 20% de tempo. Mais: o Estado recebe quantias 20 vezes maiores hoje do que quando a empresa era estatal.

Então, porque a grita dos reestatizantes?

UPDATE

De Lauro Jardim na coluna “Radar” da VEJA deste fim de semana:

“O senador Edison Lobão (DEM/MA) votou a favor de Renan Calheiros, apesar de o seu partido ter fechado questão em torno da cassação. Beleza. Nos dias que antecederam a votação no Senado, Lobão recebeu uma notícia que amoleceu mais ainda seu coração com grossas artérias governistas: seu filho, Marcio, foi indicado pelo Banco do Brasil para presidir a Brasilcap, empresa de títulos de capitalização. Marcio, aliás, é sócio do pai em quatro emissoras de TV no Maranhão”.

12 September 2007

Palmas pra eles

Filed under: Brasil, Política — Carlos Eduardo Moura @ 3:46

E Renan Calheiros foi absolvido. Gostaria de pedir palmas eloqüentes aos valorosos do PT Aloízio Mercadante e Ideli Salvatti, que lutaram bravamente pelo nobre presidente do Senado. E usando o surrado argumento de que a cassação era coisa pra desestabilizar o governo. Pra essa gente, sempre é fácil dizer que há algum complô contra o governo Lula em curso. “Olha, não façam o jogo da oposição, eles, no fundo, querem é desestabilizar o governo”. Tá bom.

Sinceramente, dá nojo. Mas isso é o Brasil. Uma palavra na oposição, outra no governo.

Quando Renan faz ameaças veladas a outros senadores, “poderia ser com você”, no fundo ele está certo. Há inúmeros ali como Renan. Há inúmeros ali que compactuam com isso. Mas uma pergunta: vai se continuar aceitando até quando esse joguinho, esse acobertamento?

(O Noblat fez a melhor cobertura. E aqui a cronologia da coisa toda.)

30 August 2007

Não amacia, não

Filed under: Brasil, Política — Carlos Eduardo Moura @ 11:10

Ricardo Lewandowski, ministro do STF, disse ontem que “a tendência era amaciar para o Dirceu” no julgamento que decidiu a abertura de ação penal contra “os 40 do mensalão”. “Todo mundo votou com a faca no pescoço”, disse ele.

O detalhe é que o ministro disse isso num restaurante, quando falava ao celular com alguém. E uma repórter da “Folha” ouviu tudo e publicou no dia seguinte.

Dirceu fez beicinho e prontamente saiu dizendo que o julgamento está sob suspeição. “(…) estou perplexo, estupefato e quase em pânico. Isso é impensável em qualquer país”, disse. Falou até em “ditadura da mídia”.

Eu prefiro acreditar que o julgamento estaria sob suspeição ainda mais forte caso a imprensa não estivesse em cima, acompanhando o caso. No escuro, ninguém tem vergonha de nada, já diria um ditado. E, como disse o ministro, “a tendência era amaciar para o Dirceu”.

23 August 2007

Vai contar mesmo?

Filed under: Mulheres, Brasil, Política — Carlos Eduardo Moura @ 1:45

Do blog do Josias de Souza:

(…) E se prepara para levar um livro ao prelo. “Todo mundo pensa que meu livro tem dois capítulos: escândalo do Renan e historinha de amor que não deu certo. Nada disso. Vou contar coisas de Brasília que nunca foram publicadas.” Seguuuuuuuuuuuuuura, peão!

Vai mesmo? Vai contar nada. Está fazendo isso pra se promover ou, o que é pior (ou melhor, pra ela), fazer chantagem.

PS: E a desculpa pra essa nota foi, oras, colocar a foto dela aqui. ;)

19 August 2007

Larry Rohter fala

Filed under: Mundo, Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 12:54

O correspondente do “New York Times” Larry Rohther fala hoje, em entrevista ao caderno Aliás, do “Estadão”, sobre o episódio da sua quase expulsão do Brasil há dois anos, por feito uma matéria sobre os hábitos etílicos do presidente. A entrevista está muito boa. Mostra bastante a diferença de mentalidade entre EUA e Brasil. Nesse caso, o Brasil ainda deixa muito a desejar.

Trechos:

A imprensa brasileira é tolerante ou crítica demais com o poder?
A questão é outra. Governar é fazer coisas. E fazer jornalismo é criticar. A crítica é um elemento-chave na profissão. Não vou ao extremo do “si hay gobierno soy contra”, mas é papel da imprensa olhar os governos e dizer “aqui está errado”. Agora mesmo, o grave acidente aéreo de SP virou símbolo de uma crise maior. Quais as razões que levaram ao desastre em Congonhas? Não sabemos. Mas há uma crise maior, crise nos serviços, afinal, somos usuários, não há como negar. Então, por que dizer que a cobertura está exagerada? Quem não lembra das críticas ao apagão de energia, feitas pelo PT, no final do governo do FHC? Falta de planejamento, falta disso, falta daquilo. Era uma crítica perfeitamente compreensível. Lembremos de como Bush apanhou da imprensa americana depois do furacão Katrina. E mereceu apanhar! Ver aqueles velhos morrendo em frente do estádio foi terrível. Pois ver os corpos carbonizados em Congonhas produz o mesmo sentimento. O povo sabe julgar. E nós, na mídia, somos instrumentos dessa opinião pública que ora castiga, ora absolve.

(…)

Quando escrevo sobre praia, futebol e mulher bonita, tem gente que pensa que estou folclorizando o País. Mas esses assuntos são parte da realidade, não há como ignorá-los. Já quando escrevo sobre as mazelas brasileiras, como miséria e racismo, daí um setor ufanista se levanta e grita “não toque no País!” Amigos brasileiros já me disseram: “Nós podemos falar essas coisas, você não”. Sou admirador de Nelson Rodrigues, que cunhou aquela expressão imortal em relação ao brasileiro, o “complexo de vira-lata”. Isso entra nessa conversa.

(…)

Na ditadura, você correu o risco de ser preso. Agora, com o País redemocratizado, correu o risco de ser expulso. Como recebe isso?
Pior: em 2004 corri o risco de ser expulso com base em lei dos anos 70, dos anos de chumbo. O Lula, perseguido pela ditadura, recorreu a uma lei da própria ditadura para me punir. Horrível.

(…)

Hoje, se você estivesse com Lula numa entrevista, perguntaria o quê?
Na comissão que investigou o escândalo Watergate, o senador Howard Baker repetia sempre a mesma pergunta em relação a Nixon: “What did the president know and when did he know it?” É a questão fundamental. Pois eu perguntaria a Lula a mesma coisa em relação ao mensalão: “Presidente, o que o senhor sabia e quando soube?”

18 August 2007

Bundões

Filed under: Mulheres, Brasil, Fotos, Política — Carlos Eduardo Moura @ 3:10

Essa da bunda aí em cima é a Íris, na “Playboy” deste mês. Achei o ensaio bastante bonito e elegante, embora pouco revelador. Há gente dizendo o Photoshop foi usado ao extremo, em algumas fotos. Essa foto mostra que sim, há evidências fortes de que isso tenha acontecido mesmo…

**

E falando em bundão, José Dirceu dá as caras na entrevista do mês da revista. Dirceu é aquele de sempre: critica alguns atos, mas diz que faria o mesmo. Não dá pra levar muito a sério o que ele diz. Alguns trechos:

“Acho que a imprensa é partidária, ideológica, engajada, com projeto político. Isso existe no Brasil. Pena que não existe uma nossa assim tão forte.” (…) “Eu quero um jornal pra gente também.”

(Repórter) “Por que deveria um governo, que está fazendo o que acredita estar certo, permitir que o critiquem? Ele não aceitaria a oposição de armas letais, mas idéias são muito mais fatais que armas.” O senhor concorda com a frase de Lênin sobre a imprensa? (Dirceu) A crítica é fundamental, outra coisa é campanha articulada por partidos e parlamentares. Não estou dizendo que o PT não tenha feito isso, que não fizemos no passado. Não estou dizendo que tem de fechar ou censurar os jornais. Só estou denunciando.”

“…O Lula não dá cheque em branco pra ninguém. Não é da natureza dela. Pelo contrário, ele delega, mas controla, cobra. Ele é um presidente da República que tem controle sobre tudo o que está acontecendo. O Lula trabalha, chega cedo e sai tarde.”

(Repórter) “O que achou do caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Nildo? (Dirceu) Eu diria que é um caso a ser esclarecido.” (E já não foi? Quebraram o sigilo.)

“O Fernando Henrique pode cobrar 85 mil reais por palestra (invejoso! hahaha), e eu não posso fazer consultoria? No fundo, o que eu faço é isso: analiso a situação, aconselho. Se eu fizesse lobby, o presidente saberia no outro dia. Porque no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema! As empresas que trabalham comigo estão satisfeitas. E eu procuro trabalhar mais com empresas privadas que com empresas que têm relação com o governo.”

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