Carlos Eduardo Moura | blog

8 September 2008

Notas futebolísticas

Filed under: Futebol, Brasil, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 1:14

1
Dunga acertou na escalação do Brasil que entrou em campo contra o Chile, no último domingo. Temos sempre que dizer o quanto o ex-volante e técnico é medíocre, mas não se pode dizer que tenha feito bobagem neste último jogo.

Na defesa, fez o de sempre: dois zagueiros e dois laterais, que sobem só um pouquinho e revezados; no meio, mudou um pouco: jogou com dois volantes (em vez de três) e jogou com dois jogadores criativos, Diego e Ronaldinho Gaúcho, embora o ex-santista tenha ficado mais recuado e ajudasse na marcação, enquanto o ex-jogador do Barcelona subia mais e jogava na ponta-esquerda. No ataque, Luís Fabiano mais à frente e Robinho vindo de trás.

2
Dunga também acertou ao tirar Ronaldinho do time. Fiquei me perguntando se ele faria isso, mas teve coragem e fez. Palmas pra ele. Dá dó ver Ronaldinho jogar: não corre, não dribla, não dá um passe em profundidade. Precisa emagrecer e voltar a correr mais…

3
Dois destaques individuais na partida: Luís Fabiano e Robinho. O primeiro jogou muito bem, fazendo dois tentos e dando passe pro gol de Robinho, que costuma jogar bem com a seleção, mas peca em algumas jogadas e não tem chute forte. Aliás, se ele quiser ser o melhor jogador do mundo, como diz por aí, precisa fazer mais musculação nos cambitos e chutar forte. Aqueles chutinhos dele não são de nada.

4
Gilberto Silva deveria nunca mais jogar pela seleção (junto com Kleber). Josué ainda dá um caldo, rápido e cirúrgico em algumas roubadas de bola. Mas eu ainda acho que Hernanes será o grande nome dessa posição em pouco tempo, e não o super-estimado Anderson.

5
Lula fez a crítica certa à seleção, ou seja, que eles eram um bando de vagabundos que não correm quando perdem a bola e não mostram raça em campo. No domingo, o time jogou diferente. Precisa haver sempre essa pressão em cima pra mostrar raça? Bando de vagabundos!

Agora, não acho que Lula saiba mais de futebol do que Dunga. A mediocridade se equivale, nesse caso; tenho quase certeza.

6
Passada a turbulência, acho que Dunga será o técnico do Brasil na próxima Copa do Mundo. Infelizmente, a cada dia tenho mais certeza disso. Fazer o quê…?

7
Eu ainda acho que o melhor esquema tático para o Brasil é outro, um 3-5-2 – mas agora estou com preguiça pra escrever mais…

25 August 2008

As imagens que ficam

Filed under: História, Fotos, Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 8:12

Fotos e mais fotos dos jogos de Pequim.

(Roubado do blog do Ricardo Lombardi - maoê.)

16 August 2008

Não sabem perder

Filed under: Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 3:09

O New York Times e outros grandes jornais norte-americanos estão contando diferente o ranking de medalhas dos jogos olímpicos de Pequim. Para não ficar atrás da China, estão contando como critério o número total de medalhas, e não o número de ouros, que é o correto. Com isso, os EUA estão na frente da China.

Deselegância de perdedor. É o mínimo que se pode dizer diante de tal atitude. Mas, sinceramente: dá nojo. Está claro que a China vai levar esses jogos com o pé nas costas.

16 March 2008

Fórmula 1

Filed under: Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 2:18

A corrida na Austrália, neste domingo, a primeira das 18 provas do calendário da Fórmula neste ano, mostrou o seguinte:

- Lewis Hamilton vai ganhar com o pé nas costas o campeonato mundial deste ano (a não ser, é claro, que cometa bobagens absurdas como fez ano passado);
- Kimi Raikkonen vai brigar pelo título, vai ganhar algumas corridas, mas dificilmente será bicampeão este ano;
- Robert Kubica e Nick Heidfeld vão brigar pelas primeiras posições, também, junto com Raikkonen, Kovalainen e, vá lá, Felipe Massa;
- Fernando Alonso dificilmente vai entrar com freqüência na briga pelas primeiras posições; vai ficar ali na zona intermediária. Se ganhar uma prova estará muito no lucro. Deve melhorar sensivelmente na segunda metade da temporada;
- Felipe Massa, coitado, nunca vai ser campeão mundial, afobado do jeito que é. Ejaculação precoce;
- Nelsinho Piquet vai brigar para ficar entre os oito, no máximo;
- Rubens Barrichello, depois do fiasco do ano passado, vai conquistar muitos pontos, um ou outro pódio e vai se tornar o piloto com mais grandes prêmios da Fórmula 1.

E, claro, teremos muito mais brigas, erros e derrapadas este ano, por conta do fim do maldito controle de tração, que “consertava” a acelaração/tração dos carros. Ou seja: muito mais emoção e reviravoltas. Agora, é por conta do piloto. Schumacher adoraria correr nestas condções.

9 October 2007

Futebol de pedreiros

Filed under: Futebol, Brasil, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 10:42

É impossível assistir a um jogo do campeonato brasileiro e não sentir uma espécie de nostalgia de tempos passados - que eu não vivi, aliás. Ah, os tempos de Pelé, Rivellino, Garrinha, Gérson, Ademir da Guia, Sócrates, Falcão…

O futebol praticado hoje me lembra um pouco aquele futebol que eu joguei uma vez num sítio do meu pai. Um bando de gente correndo feito louco, dando caneladas e bordoadas uns nos outros. É porrada pra tudo quanto é lado. Até um São Paulo e Corinthians, que deveria ser um jogo de alto nível, é medíocre. Um Flamengo e Fluminense, então, é mais medíocre ainda.

17 August 2007

A luta do século: Ali x Foreman

Filed under: Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 9:18

Segue abaixo pequena resenha que fiz sobre o livro “A Luta”, do Norman Mailer. Vale a pena assistir a luta completa. Está disponível no YouTube. O quinto round é simplesmente sensacional. Começa aqui - os outros rounds você pega naquela coluna do lado direito.

Em 1974, no Zaire, Muhammad Ali e George Foreman contracenaram uma luta épica, considerada no mundo do boxe como “a luta do século”. Se, por um lado, Foreman defendia o título e vinha numa trajetória impressionante e até era tido como favorito nas bancas de apostas, o falastrão e arrogante Ali ainda era visto como o grande campeão.

Em “A Luta”, Norman Mailer narra o clima dos bastidores e o combate. De início, já é uma grande tentação dizer que os estilos de Mailer e Ali se parecem bastante. Ambos são técnicos ao extremo e gostam de se exibir.

Mailer se coloca no texto como personagem e, ainda por cima, em terceira pessoa. E Ali ficou famoso por seu estilo sempre muito técnico e seus arroubos exibicionistas.

“A Luta” é muito mais do que uma narrativa sobre a luta. Mailer descreve todo o clima dos bastidores, acompanha os treinos dos lutadores, o espírito de cada um, as entrevistas pós-treino, as impressões dos treinadores. A reportagem é considerada como uma das melhores já feitas sobre o mundo esportivo.

O modo como Ali treinava era peculiar. Era como se treinasse para apanhar, para resistir e assimilar socos mais depressa do que outros lutadores, anota Mailer, pois sabia que Foreman tinha a mão pesada (embora, nas entrevistas, Ali sempre dissesse o contrário). Mailer: “Ali estudava todo o tempo como amortecer tais choques ou como castigar a luva que o transmitia, sempre elaborando sua compreensão íntima de como neutralizar, enfraquecer, modificar, enganar, encurvar, desviar, distorcer, defletir, inclinar e cancelar as bombas atiradas contra ele, e fazê-lo com um mínimo de movimentos, deitado nas cordas, as mãos erguidas, languidamente.”

O treino de Foreman era o de sempre: golpear até dizer chega. Socar sacos de areia e sparrings durante horas, sem cansar. A impressão que se tinha, narra Mailer, era que Foreman iria demolir Ali, numa luta rápida. Muitos diziam até que Ali poderia sair morto do combate, tal a força dos golpes de Foreman. Mailer, que torcia francamente por Ali, tinha medo que isso de fato acontecesse. E não era por menos – Foreman vinha simplesmente trucidando adversários e impondo respeito dentro do mundo do boxe.

O clima das entrevistas pós-treino é largamente descrito. Ali sempre fulminando Foreman e fazendo o teatro que a imprensa esperava dele. Já Foreman era o oposto. Dava poucas entrevistas, era mais contido, não gostava de polemizar.

A luta mesmo, propriamente dita, só é narrada por Mailer passados mais de dois terços do livro. E quando a luta chega, Mailer narra-a com maestria e minúcia. Lê-se daí para frente com frio na barriga e ansiedade tremendas, mesmo sabendo-se que Ali vence a luta por nocaute no oitavo assalto. Mailer descreve cada golpe executado, cada suspiro, cada descanso entre assaltos, cada frase que Ali dizia para Foreman durante a luta. Faz metáforas, dança pra lá e pra cá. Em suma, Mailer exibe todo seu talento como escritor.

Sobre o primeiro assalto, por exemplo, ele diz: “Furioso, Foreman fez carga. Ali agravou o insulto. Agarrou o Campeão pelo pescoço e empurrou sua cabeça para baixo, manejou-a brusca e decisivamente, para mostrar a Foreman que ele era consideravelmente mais ríspido do que qualquer um tivesse informado, e com isso as relações começaram. Circularam-se outra vez. Fintaram-se. Avançaram um contra o outro para recuar em seguida. Era como se cada qual tivesse uma arma na mão. Se um atirasse e errasse, o outro decerto acertaria. Se um lançasse um soco e o oponente estivesse atento, a cabeça do primeiro é que levaria o golpe. Que choque! É como segurar um cabo de alta tensão. De repente, está-se no chão.”

Embora grande estilista, Mailer falha em alguns pontos. Falta ao livro dados biográficos oportunos. O fato de Ali ter perdido o título por ter se negado a lutar na Guerra do Vietnã, por exemplo, quase não é explorado – e olha que Ali ficou um tempo preso por isso. A fase que Foreman vivia, destruindo adversários, também não é salientada. Fica-se com a impressão que o autor quis romantizar demais a luta e Ali, tido como o maior pugilista de todos os tempos. Tanto é que o próprio Mailer diz, em certo ponto, não conhecer muito bem Foreman. Mas talvez isso seja o de menos. Quem ler “A Luta” nunca vai esquecer das belas descrições que Mailer faz.

(Em julho de 2007)

Brasil e Argentina

Filed under: Futebol, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 8:35

A seleção brasileira deu hoje um pequeno baile no time argentino, ao vencê-los por 3 a 0, em jogo disputado no estádio do Arsenal, em Londres, Inglaterra.

Robinho e Elano foram os destaques do excelente primeiro tempo, que terminou em 1 a 0. O time brasileirou marcou bem e fez jogadas rápidas pelo meio e pelas laterais. No primeiro gol, Robinho deu um belo drible de letra (”cortou de letra”) no jogador argentino, conduziu a bola pelo meio e rolou para Elano, que avançava para dentro da área dominar e chutar no canto esquerdo do goleiro. Golaço.

Nos vinte minutos iniciais do segundo tempo, o time argentino congestionou o meio-campo e foi pra cima do Brasil, que não conseguia jogar direito mas que soube se segurar atrás. Lúcio, sempre seguro, fez uma boa partida.

O jogo mudou de ares com a entrada de Kaká, que estava na reserva. Kaká fez uma ótima atuação e deve se firmar de vez como titular nos próximos jogos. O jogador do Milan fez uma excelente troca de passes pela esquerda do ataque com Fred e rolou a bola para Elano, na direita, que mais uma vez entrava com excelentes condições na área. Dois a zero. Água gelada em Tévez, Riquelme, Messi e companhia. Aliás, os três não jogaram nada. Tévez e Riquelme até tentaram algumas jogadas, mas nada demais. Messi estave irreconhecível.

O terceiro gol foi outro golaço. Aos 44 minutos do segundo tempo, Kaká pegou a bola espirrada na defesa e saiu em disparada para o ataque. Na altura do meio-campo, livrou-se do marcador, correu, correu, correu e, na entrada da área do campo adversário, puxou para a direita, fugindo do zagueiro, e tocou na saída do goleiro. Golaço. É uma de suas jogadas mais clássicas.

Pra Argentina, só restou dizer: aquele abraço.

Só um PS: Ronaldinho Gaúcho não fez falta nenhuma ao time.

(Em setembro de 2006)

O Brasil tomou um sacode

Filed under: Futebol, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 8:24

Há que se pensar no lado bom de o Brasil ter perdido esta Copa. Senão, vejamos: a seleção vai se renovar; Cafu vai se aposentar e parar com essa palhaçada de bater recordes; o Roberto Carlos vai junto, graças; Zagallo, também; Parreira deve ir junto com seu futebol “show é vencer”; Ronaldo vai ficar esperto porque pode (e deve) perder a posição de titular absoluto; e não teremos gritaria do Galvão na final. E, bom, a Argentina saiu antes.

Agora, falando sério: nunca que esse time brasileiro merecia ganhar. O time simplesmente não tem brilho e fibra – parece o Real Madrid jogando. Parreira não ousou, preferiu manter aquele time pesado, cheio de veteranos. Teve medo de tirá-los? Vai saber. E Ronaldinho não jogou um décimo do que joga.

(E lembrar que na Copa de 1958 Pelé destruiu aos 17 anos.)

Pra mim, essa foi a Copa do medo. O técnico brasileiro teve medo de mudar. O técnico da Argentina teve medo de partir pra cima da Alemanha e matar o jogo.

Como sou bem mercenário, elejo os meus principais culpados: Cafu e Roberto Carlos, que não deveriam ter sido titulares desta Copa, atrapalharam bastante, a meu ver, a parte ofensiva da equipe. Outro culpado foi o Parreira, que foi burro em não tirá-los do time quando podia (primeira fase). E Ronaldo, claro, por não ter se preparado adequadamente para jogar um Mundial.

E Cafu ainda me vem com essa: “Claro que para [jogar em] 2010 é muito difícil, mas o futebol pode pregar surpresas.”

(Em julho de 2006)

Piquet dá a bunda pelo pé

Filed under: Nonsense, Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 8:16

É sensacional a história do título bolado pelo extinto jornal “Notícias Populares” (NP), quando Nelson Piquet sofreu um acidente em Indianápolis. No acidente, Piquet teve seu pé parcialmente destruído. Os médicos tiveram que usar um pouco de carne da região glútea (em outras palavras, bunda) do piloto para a reconstrução do pé.

Bom, até aí tudo bem. A manchete do NP vem agora:

“Piquet dá a bunda pelo pé”.

Infelizmente, o jornal não foi às ruas com esta manchete. Frias, o big boss do Grupo Folha, que controlava o NP, não deixou passar e teve que mandar parar a impressão no meio da noite.

Não deixou passar o título, mas a frase “Senna liga para hospital para dar seu apoio e Piquet manda dizer que não está” acabou saindo.

Que beleza!

(Publicado em maio de 2006)

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