Carlos Eduardo Moura | blog

25 August 2008

As imagens que ficam

Filed under: História, Fotos, Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 8:12

Fotos e mais fotos dos jogos de Pequim.

(Roubado do blog do Ricardo Lombardi - maoê.)

16 August 2008

Não sabem perder

Filed under: Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 3:09

O New York Times e outros grandes jornais norte-americanos estão contando diferente o ranking de medalhas dos jogos olímpicos de Pequim. Para não ficar atrás da China, estão contando como critério o número total de medalhas, e não o número de ouros, que é o correto. Com isso, os EUA estão na frente da China.

Deselegância de perdedor. É o mínimo que se pode dizer diante de tal atitude. Mas, sinceramente: dá nojo. Está claro que a China vai levar esses jogos com o pé nas costas.

29 April 2008

Ficou bravo

Filed under: Brasil, Nonsense, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:31

Nada como lembrar quem são e como agem algumas pessoas…

8 April 2008

Guilherme Fiuza

Filed under: Internet, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 12:42

Guilherme Fiuza, autor de “Meu nome não é Johnny” e “3.000 dias no bunker”, está de volta com seu blog aqui.

7 April 2008

Veja e Nassif

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 11:30

Há algumas coisas engraçadas nessa discussão sobre o jornalismo praticado pela revista “Veja”. Luís Nassif vem publicando uma série de textos sobre a revista. E muita gente vem saudando como “jornalismo independente”. Na série, Nassif denuncia muitos “jogos de interesse” por trás das matérias. Em algumas coisas, até acho bem provável o que ele diz. Noutras, pura bobagem.

Nassif também tem interesses por trás, cabe destacar. Trabalha pro iG, cuja controladora é a Brasil Telecom, que vive às turras com Daniel Dantas. O que faz Nassif? Solta a lenha em Daniel Dantas e suas “relações com jornalistas” de “Veja”. Elementar. Seguindo sua lógica, também poderíamos supor que escreve “a soldo” de interesses escusos.

E há mais. Em uma coluna em “Veja”, Diogo Mainardi revelou que Nassif havia publicado um texto com trechos idênticos (até nos erros) a um release emitido por Luiz Roberto Demarco (dono da tal “lojinha do PT”), que também está na briga com Daniel Dantas. Nassif viu sua credibilidade cair, e muito, por conta deste episódio. Foi inclusive demitido do jornal “Folha de S. Paulo”.

Na série sobre a “Veja”, Nassif pinta Mainardi como jornalista inexperiente (“jornalista sela”, que monta em qualquer coisa), sugerindo que faz o jogo de Daniel Dantas ou por ser ingênuo ou por agir de má-fé, mesmo. Vai dizer que isso não é vingança?

Apesar de eu não ser leitor de “Veja” – leio apenas as colunas de Mainardi e eventualmente uma ou outra coisa -, acho que ela cumpre importante papel neste governo Lula. É a única que parte pro confronto direto.

Como já disse aqui uma vez, “Veja” faz jornalismo e toma partido. Não vejo nenhum problema nisso. “CartaCapital” também o faz, e não vejo seus leitores reclamando disso. Pelo contrário.

“Veja” pega pesado, algumas vezes? Pega, sim. Acho saudável, até, perante este governo.

9 February 2008

O mundo é desigual e injusto. Ponto

Filed under: Mundo, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 6:00

Ler esta história dos estudantes cubanos que vêm fazendo críticas ao regime (aqui e aqui) - embora os estudantes sejam partidários da “revolução” -, só reforça uma coisa que penso há muito tempo: o mundo é desigual, injusto e é assim mesmo. As pessoas - em qualquer regime que seja: capitalismo, socialismo - sempre serão diferentes, sempre terão comportamentos diferentes. Sempre haverá desigualdade, injustiça. Estou defendendo isso? É óbvio que não.

Essa história de o socialismo querer igualar as pessoas, com uma pretensa “igualdade de direitos”, é uma tremenda fraude. Veja o que o governo de Fidel Castro conseguiu depois de anos e anos de ditadura (partido único, imprensa estatal etc.). As pessoas não têm sequer o direito de ler os livros que querem ler, acessar os sites que quiserem, sair do país para nunca mais voltar, se assim desejarem fazer.

A liberdade não seria muito mais interessante do que uma pretensa igualdade? Até porque, sejamos honestos, igualdade em Cuba não existe. Há e sempre haverá os privilegiados, a burguesia estatal, os que mamam nas tetas do governo - de qualquer governo.

Repetindo aqui um argumento surrado, mas válido: as pessoas têm o direito de fazer as suas próprias escolhas. Um país só crescerá assim: escolhendo, errando, batendo cabeça. É o velho aprender com os erros.

Não existe aquela lenga-lenga de não mimar demais os filhos, não protegê-los da “vida real”, para que cresçam por si só, errem e amadureçam? Pois é. O que estes governos ditatoriais querem fazer é a monumental estupidez de “proteger” as pessoas - o que é pior: achando que as pessoas são coisa, propriedade, uma massa sem direito a escolhas. Isso me soa tão velho e retrógrado. Querem proteger as pessoas da subversão, da pornografia, do comunismo, do capitalismo, das injustiças.

JP Coutinho entrevista Mainardi

Filed under: Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:29

Puro ouro a entrevista que JP Coutinho fez com Diogo Mainardi. Aliás, Coutinho, escondido na Pensata da Folha Online, escreve, quinzenalmente. Uma das melhores colunas publicadas no Brasil.

É um dos meus desportos favoritos: chegar ao Brasil e falar, em tom blasé, de Diogo Mainardi. “Você leu a coluna dele na Veja? Muito boa”, digo eu. O meu interlocutor cai num silêncio sepulcral. As veias do pescoço vão inchando como em certos filmes de vampirismo. O sangue concentra-se todo na cabeça. Os olhos, vermelhos e irados, saem das órbitas. A boca espuma. Os queixos tremem. (…)

Você não acha que a corrupção, para os brasileiros, não é tão grave como seria para os europeus?

Corrupção é fruto de falta de democracia. Quanto mais avançada é uma democracia, menor o risco de corrupção. Uma imprensa independente ajuda a vigiar a classe política. Um judiciário independente também. Até a arte tem um papel no combate à corrupção. Ela oferece à sociedade ferramentas como iconoclastia, humor, visão crítica, senso estético, senso de proporção, agitação intelectual, inquietude existencial tudo isso aumenta nossa desconfiança e nossa insatisfação em relação às pessoas em geral e aos políticos em particular. (…)

Eu estive no Brasil em dois momentos marcantes dos últimos anos: quando o mensalão estava no auge e nas últimas eleições. E fiquei pasmo com pessoas educadas, fluentes e letradas que diziam que votariam em Lula, não em Alckmin?

Pessoas educadas, fluentes e letradas que votam em Lula? Não conheço. Acho que você está freqüentando demais os jornalistas da Folha de S.Paulo.

18 December 2007

Quebra-pau Mainardi x Amorim

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:25

Fato é: eu adoro um quebra-pau.

Paulo Henrique Amorim, o baixinho do iG,  está processando Diogo Mainardi, nas esferas cível e criminal. Ontem, eles se encontraram, na frente da juíza, para tentar acordo. Não rolou, obviamente.

Trechos do site Consultor Jurídico:

“Perdi! Não vou conseguir metê-lo na cadeia!” A frase foi dita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim ao sair da sala de audiências da 1ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros, em São Paulo. Amorim, blogueiro do portal iG e animador de programas da TV Record, queria colocar na cadeia o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, porque este escreveu que ele, na fase descendente de sua carreira, foi contratado pelo portal iG por R$ 80 mil e se engajou pessoalmente “na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”.

(…)

“Eu não o processo quando você me chama de caluniador e fascista em seu blog”, disse Mainardi a Amorim. “Ou a minha credibilidade não é atingida quando você escreve que eu sou fascista?”, questionou. “Mas isso é opinião, não matéria de fato”, respondeu Amorim. “Então, o que você diz é opinião e o que eu digo é fato? Ok, assino embaixo”, ironizou Mainardi.

(…)

Para se vitimizar, Amorim fez a única coisa que não gostaria de fazer: reconheceu o sucesso do inimigo.

(…)

“Reagi dessa maneira porque nunca antes fui ofendido dessa maneira”. Mainardi foi gentil: “Obrigado, pelo espetáculo”.

9 December 2007

O baixinho do iG ataca outra vez

Filed under: Brasil, Nonsense, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:28

Prometo que esta é a última vez que falo neste blog de Paulo Henrique Amorim, o baixinho do iG. Ele me saiu com uma tirada tão espirituosa dia desses, que não resisti. Vou agrupar num parágrafo só pra agilizar:

“O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso chamou o Presidente Lula de analfabeto. Disse que o Presidente Lula não sabe falar a Língua Portuguesa (clique aqui). Como no Brasil, quem é analfabeto é pobre, negro e nordestino… E como, no Brasil, quem não sabe usar a Língua Portuguesa é o pobre, o negro e o nordestino, Fernando Henrique Cardoso é racista e tem preconceito social…”

Primeiro achei que era uma ironia, até pelas reticências…, mas depois vi que era meio sério o negócio, porque num outro texto PHA diz que mandou esse texto brilhante para a Universidade de Brown, onde FHC é professor: “O Conversa Afiada achou recomendável encaminhar este Máximas e Mínimas e todos os que aqui se referiram ao racismo e ao preconceito do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao diretor, aos professores e aos alunos do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, onde FHC é “professor at large” e posa de estadista”.

Voltando ao primeiro texto: FHC disse que Lula não usa direito a língua portuguesa. FHC não disse que Lula é analfabeto. Analfabeto é quem não sabe ler e escrever. Tem muita gente que fala errado, mas não é analfabeto, sabe ler e escrever. Lula não é analfabeto, embora pareça (ok, péssima piadinha, reconheço…).

No resto, tirando as vírgulas fora de lugar, a seqüência que fala que quem não sabe usar a língua portuguesa “é pobre, negro e nordestino” e que, portanto, FHC é racista e tem preconceito social, é de uma lógica límpida, cristalina. Brilhante mesmo.

Paulo Henrique Amorim não sabe o que quer dizer analfabetismo e racismo. E ainda quer posar de jornalista moralmente superior.

Ao receberem o raciocínio torto de PHA, o diretor e os professores da Universidade de Brown devem ter gargalhado do infantilismo do nosso baixinho.

4 December 2007

Entrevista com Diogo Mainardi

Filed under: Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 7:49

Diogo Mainardi: “Lula prefere o conchavo, sempre. A reação preferida dele é a de compra e venda”

Liguei para a casa de Diogo Mainardi às duas e meia da tarde do feriado da Proclamação da República. Uma moça, provavelmente a empregada da casa, atendeu e avisou-me: “O Diogo está dormindo”.

Fui imediatamente jogado para uma de suas colunas, na qual ele diz que passaria boa parte do segundo mandato do governo Lula dormindo: “Tenho dormido muito. Durmo antes do almoço. Durmo depois do almoço. Cochilo meia hora no fim da tarde. Durmo profundamente a noite toda. A idéia é transcorrer os quatro anos do segundo mandato lulista na cama. A lógica é simples: uma hora a mais de sono significa uma hora a menos de Lula”. Temi pela entrevista.

Por sorte, ao ligar novamente uma hora depois, foi o próprio Diogo quem atendeu ao telefone. Simpático, com uma leve tosse a lhe interromper as respostas, ele discorreu sobre o governo Lula, imprensa, Congresso Nacional e aspectos culturais do país.

O trecho da coluna acima, e outras 94, publicadas entre março de 2005 a setembro de 2007, estão presentes no recém-lançado “Lula é Minha Anta” (Record). Os textos, que trazem adendos e explicações de contextos, compõem uma radiografia do que foi o governo Lula nos últimos anos. Quando se quiser estudar a fundo o que de tenebroso aconteceu no período, as colunas de Mainardi serão fonte obrigatória. O que veio antes, desde que Mainardi se tornou colunista de “Veja”, no carnaval de 1999, está em “A Tapas e Pontapés” (Record).

Mainardi se tornou figura de destaque durante o governo Lula. Quando, no início do primeiro mandato, boa parte da imprensa entusiasmava-se com Lula no poder, Mainardi tratava de criticar ferozmente os jornalistas e os petistas. Brigou e polemizou com meio mundo.

Colunista mais lido e comentado de “Veja”, Diogo Mainardi, 46, casado e pai de dois filhos, escreveu quatro romances (“Malthus”, “Arquipélago”, “Polígono das Secas” e “Contra o Brasil”) e dois roteiros cinematográficos (“16060” e “Mater Dei”). Além da coluna, Mainardi produz um podcast semanal para o site de “Veja” e participa do programa de debates Manhattan Connection, no canal a cabo GNT.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Durante os últimos três anos, seu esporte preferido foi a caça ao Lula…
Diogo Mainardi –
Eu já estou indo pro quinto ano. Eu comecei em 2002 tentando desmoralizá-lo.

Você se sente frustrado por ele ainda estar no poder e ter certa popularidade?
Não, eu não sou político, não estou atrás do efeito do meu trabalho. Não sou eu que tenho que tirá-lo de lá, não sou eu que tenho que fazer também todas as apurações. Não posso pôr ninguém na cadeia, infelizmente; não posso processar; não posso violar sigilo bancário. Eu tenho as armas de que disponho: a curiosidade, o interesse e certo temperamento avesso a mistificações. E alguns instrumentos pra tentar chegar a alguma clareza sobre o funcionamento da política brasileira, de como a gente funciona, de como a gente se reflete na política.

Por que o Lula conseguiu se reeleger e ter ainda popularidade? As pessoas ficaram tão cansadas de ver escândalo, que acharam melhor deixar pra lá?
Houve um fato objetivo, uma proteção por parte da oposição e por parte da imprensa. Esse fato foi muito evidente desde o começo, quando o Lula estava lá embaixo. É uma mentira que a popularidade dele não tenha sido afetada pelos escândalos. No final de 2005, a popularidade estava lá embaixo. Ali se fez um cálculo, a oposição contou com a ajuda da imprensa, da academia, de todos os setores que sempre tiveram simpatia pelo PT e pelo Lula, e se tentou levar adiante a presidência até o final, sem envolvê-lo diretamente nos escândalos, para substituí-lo de maneira macia e sem expor a própria roubalheira da oposição. Havia muito medo, muito temor, de uma retaliação, que a investigação da roubalheira do PT recaísse sobre a roubalheira dos partidos que vieram antes. Como eles roubaram das mesmas fontes, era muito difícil chegar ao fundo da questão.

Ninguém queria que se apurasse nada.
Não, ninguém queria. Os interesses são cruzados aí, inclusive com as empresas nacionais. O que a gente tem no Brasil é um capitalismo manco. Algumas das maiores empresas, muitas das que participaram das privatizações, têm muito dinheiro estatal, que vem através de financiamentos do BNDES, do Banco do Brasil, dos fundos de pensão… Então, a promiscuidade é muito grande entre os nossos capitalistas e a política.

Qual vai ser a herança do governo Lula?
Igual a do governo Sarney, do governo Collor, do governo Itamar, do governo Fernando Henrique. Vai ser mais um período que será recordado como um buraco, mais um período em que o país não fez nenhum salto adiante, não olhou pra frente, não reformou o que tinha de ser reformado. Não trouxe novas idéias, não melhorou a visão que o país tem a respeito de si. Acho que é mais do mesmo. Serão oito anos que a gente empurrou as questões nacionais com a barriga.

Há possibilidade de um terceiro mandato do Lula?
Não acredito. Eu acho que se não houvesse risco algum, o Lula certamente optaria por um terceiro mandato. Mas ele não é uma pessoa de conflito. Nas tentativas que fez de controlar a imprensa, no primeiro mandato, por exemplo, quando a situação começou a apertar e houve reação do outro lado, ele puxou o carro. O Lula prefere o conchavo, sempre. A reação preferida dele é a de compra e venda. No caso do terceiro mandato, ele pode até conseguir, usando bem os canais de compra e venda, obter uma autorização ou modificação na Constituição para que possa concorrer ao terceiro mandato. Mas o custo vai ser tão grande, o confronto vai ser tão grande, que eu acho que ele não está disposto a enfrentar.

Você falava da imprensa, de como ela foi submissa nos primeiros meses do governo Lula. Você fez a famosa listinha dos jornalistas alinhados… (Mainardi apontou como governistas nomes como Franklin Martins, Tereza Cruvinel, Maria Helena Chagas, Paulo Henrique Amorim e Kennedy Alencar.)
Uma parte deles foi pro governo. Alguns perderam o emprego, outros foram pro governo. Alguns tentaram se desmarcar.

Você acha que a imprensa hoje está mais vigilante?
Sim. Ela está menos alinhada. Quando a gente fala que a minha luta foi infrutífera, eu acho que, claro, o Lula está aí, foi reeleito e ainda é muito popular, mas no nosso ambiente sabe-se exatamente o que é Lula. E a imagem romantizada que havia a respeito dele não existe mais. Então, ele perdeu uma aura que lhe garantia a intocabilidade. Nesse ponto, a imprensa está mais atenta. Mas, por outro lado, existe uma falta de curiosidade pra investigar o governo, e às vezes até falta de material humano, que impedem qualquer tipo de reação mais articulada aos desvios do poder.

Você chegou a ir ao Congresso Nacional. Como são os nossos políticos?
Eles são tão ruins quanto a gente poderia supor a distância. A minha viagem foi totalmente inútil, porque eu não precisava ir ao Congresso pra ver como eles são ordinários. Você não precisa empreender essa viagem, colocar paletó e gravata e agüentar o salão verde, ou o azul, aquele carpete… Você pode ver essas coisas a distância. Acho o contato com eles bastante nocivo, para os profissionais de imprensa sobretudo, porque cria vínculo pessoal, e vínculo pessoal em política é sempre danoso.

O Congresso é um espelho bastante acurado do Brasil?
Ele reflete o que a gente tem de pior, sem dúvida. É um reflexo do Brasil. O Congresso consegue concentrar o que nós temos de mais retrógrado, de mais burro, de mais inescrupuloso.

Você escreveu que “Tropa de Elite” encerrava uma discussão. Por quê? Aliás, o que você achou do filme?
O filme eu achei bastante medíocre, leva uma hora pra começar. Muita enrolação de lingüiça. Na primeira hora, o filme é bastante médio. Não me entusiasmou. Mas, na questão da violência, o que me incomoda é que se considere solução tudo o que não é solução, tudo o que é periférico, secundário. É um ponto que eu venho insistindo há muito tempo. Quando aparecem explicações pro fenômeno da criminalidade no Brasil, ou soluções que não envolvem repressão, polícia, cadeia, eu tento desmontar essas teses, porque elas são contraproducentes. Elas acabam insuflando a violência. Quando você aponta as soluções erradas, tipo programas sociais, Bolsa Família, diminuição de desigualdade, ou todo esse tipo de papo furado. Quando você começa a enfrentar as questões práticas do combate à criminalidade e da violência com polícia, cadeia, legislação rigorosa e aplicada com rapidez… Esses pontos não são tão complicados assim. A gente perdeu vinte anos com planos mirabolantes pra resolver a hiperinflação. E existe uma questão técnica ali, que quando foi enfrentada de maneira menos criativa deu resultado. Os problemas parecem muito maiores quando as soluções apresentadas são falsas. Quando as soluções apresentadas são mais simples e mais diretas, costumam funcionar melhor.

Existe uma característica geral do caráter do povo brasileiro?
Eu comentei num podcast com o Reinaldo Azevedo uma pesquisa do Instituto Ipsos, que mostra que 50% dos brasileiros nem sabem apontar o Brasil no mapa-múndi. Então quando a gente não sabe nem de onde vem, é difícil tratar o país como uma entidade fechada. Eu acho que a gente é esse troço aqui, a gente é um país subdesenvolvido, com idéias atrasadas. E quem puder sair daqui faz muito bem.

O Brasil é um espelho da colonização, do que foi feito no passado?
Ele certamente é o resultado do que se fez aqui, antes da colonização, durante e depois da independência. A gente é resultado de um monte de escolhas mal feitas, culturas retrógradas, de idéias regressivas, que criaram esse caldo de subdesenvolvimento.

O Brasil produziu gênios?
A gente tem uma literatura bastante melhor do que o país, por exemplo. A gente não tem uma literatura de nível internacional, mas é uma boa literatura, que retrata bastante bem o país. Alguns grandes escritores, e uma porção de médios, conseguiram criar uma língua, deram uma cara pro país, melhor do que o próprio país. São os mesmos de sempre, não vou ficar citando Machado de Assis e Lima Barreto, mas são os nossos autores, não vou dizer ninguém que não esteja editado pessimamente, com péssimas ilustrações, ou que não esteja em alguma edição de livros de bolso.

Thoreau disse que “o melhor go­verno é o que governa menos”, você concorda?
Não tem a menor dúvida. Mas é uma experiência que a gente ainda não teve. Está bem longe. E quando se fala em governo, é dinheiro. Quanto menos dinheiro estiver na mão do governo, melhor. É mais simples do que uma questão de formação do país, não é nada inatingível, não é nada que não possa ser atingido com um bom emagrecimento dos gastos do Estado. Você mede o excesso de governo pela quantidade de dinheiro que ele administra e o que faz com esse dinheiro. É mais simples do que uma questão toucquevilliana.

TRECHO
“Chegaram a atribuir motivos ideológicos à minha campanha contra o presidente. Não é nada disso. Tentei derrubá-lo por esporte. Há quem pesque. Há quem cace. Eu não. Prefiro tentar derrubar Lula. Ele é minha anta. Ele é minha paca. O fato é que atirei tanto, e em tantas direções, que acabei atingindo um monte de alvos. Virei o cacique Cobra Coral do parajornalismo.” (Diogo Mainardi, em “Lula é Minha Anta (240 páginas, editora Record, R$ 35,00), coletânea de artigos publicados na revista “Veja” entre março de 2005 a setembro de 2007.)

2 October 2007

CartaCapital

Filed under: Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 7:13

Folheei ontem a revista do seu Mino Carta, a CartaCapital. A matéria de capa compara as críticas feitas aos livros didáticos com versões esquerdizadas da história com a queima de livros na Alemanha nazista, pelo que pude entender das chamadas e das fotos (não li a matéria).

Percebo isso na direita, também, às vezes. Quase toda crítica é respondida com um “seu stalinista vagabundo”. Mas a esquerda é mais pródiga nesse quesito. E a CartaCapital ás vezes supera (negativamente) a Veja.

UPDATE: E a CartaCapital é muito engraçadinha. Num editorial, ironiza e diz que o PMDB vez um bem pro governo ao extinguir a pasta do Mangabeira Unger. A mesma CartaCapital que, aliás, publicou um livro do mesmo Mangabeira Unger encartado em uma edição de uns 8 anos atrás. Eu lembro, eu lembro - eu voltava do colégio quando comprei a revista, e o livrinho de brinde.

28 September 2007

Record News

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:46

Ouvir o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus reclamar do “monopólio da informação” da Globo, quinta-feira, na inauguração da Record News, foi demais. Monopólio? Que monopólio?

O bispo (tratado como “senhor” na transmissão) reclamou da “injustiça” que a Globo teria feito com ele. Na hora de falar que a Globo mantinha monopólio, quase disse a palavra “manipulava”… ele se ressente do fato de a Globo ter noticiado a prisão dele, alguns anos atrás. O bispo deve se achar um santo.

“Fomos injustiçados por muitos anos nas mãos de um grupo de comunicação que mantinha e mantém, por enquanto, o monopólio da notícia do Brasil.” Injustiçados. O bispo Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. Quem já foi em um culto (nem precisa ir, basta ligar de madrugada na Record) sabe como o que eles fazem é nojento e extorsivo. Faz-se de tudo pra tirar dinheiro do povão.

E os bacanas acham demais o bispo ter um império de comunicação nas mãos. Achavam nojento as tramóias da Globo com os militares; mas acham normal o que o bispo faz. Devem até achar normal as demonstrações de intolerância por parte dos bispinhos de tevê da Record contra outras religiões. A Universal é uma máquina de explorar e capitalizar a ignorância.

As duas primeiras entrevistas da Record News foram emblemáticas: Lula e Renan Calheiros. As duas entrevistas foram no tom chapa-branca. É assim que eles querem combater o “monopólio” da Globo? Digo isso porque já fico com um pé atrás de todo veículo que, quando leva ao público seu primeiro respiro, trata de botar o governante da vez. É deprimente. O jornalzinho da cidade lança seu primeiro número, e quem vai pra capa? O prefeitinho. O vereadorzinho.

(E Fafá de Belém cantando o hino nacional foi algo extremamente constrangedor. Não pude deixar de notar, no público presente, aqui e ali caras constrangidas. Foi deprimente mesmo.)

A entrevista de Lula também foi patética. Lula agora só sabe falar mal de FHC, no estilo “nunca antes neste país”, “eles não fizeram nada”, “nós fizemos tudo”, “eles estão é com inveja”. A pérola: “FHC deveria estar feliz. Se tem um homem que deveria estar feliz, era ele, porque consegui fazer o Brasil que ele aspirou e não conseguiu”. Lula acha que as coisas acontecem da noite pro dia num passe de mágica (quando a notícia é boa, ele acha isso; quando as coisas não andam direito, dá um jeito de invocar o governo FHC). Ele já anda até dizendo que o principal responsável pela estabilidade econômica foi ele. Tem tolo que engole isso, ainda por cima.

US$ 7 milhões foi o investimento feito (pelo menos o declarado). De onde veio essa dinheirama toda? Com certeza não foi da Record. Veio do dízimo arrecadado pela Universal, supõe-se.

O “empresário” e “senhor” Edir Macedo é aquele flagrado em gravações nada santas, quando ensinava outros “bispos” da igreja como pedir dinheiro pro povo. O vídeo, que Edir Macedo tentou tirar da internet, está disponível no YouTube.

Você tem que chegar e se impor. “Ó, pessoal, você vai ter que ajudar agora na obra de Deus. Se você quiser ajudar, amém. Se você não quiser ajudar, Deus vai achar outra pessoa pra ajudar. Amém!” Entendeu como é que é? Se quiser bem. Se não quiser, que se dane! (…) O povo quer ver o pastor brigando com o demônio. (…) É isso mesmo: botar pra quebrar, vira cambalhota… Então o povo fica louco. É isso aí, é isso aí, entendeu como é que é?

Este é o homem que vai brigar contra o “monopólio” da Globo. Deplorável.

14 September 2007

Lanny Gordin

Filed under: Jornalismo, Música — Carlos Eduardo Moura @ 2:08

O primeiro ácido que Lanny Gordin tomou foi em uma excursão com o cantor Jair Rodrigues, no início de 1972. Quando o efeito bateu, Lanny sentiu-se em outro mundo, numa espécie de nirvana. “Começou aí a minha viagem pro interior de mim mesmo. Foi sensacional”, relembra. A excursão havia começado em Londres e passado por Estocolmo, Amsterdã, Lisboa, Paris e outras cidades européias. Lanny vivia o auge de sua carreira de guitarrista. Após a turnê, voltou a Londres para descansar. O ácido lisérgico foi presença constante nessa excursão.

(…)

Alexander Gordin, 56 anos, é um sujeito alto, tímido, extremamente gentil, com um ar de cientista maluco e criança inocente. Traz no semblante e na voz seqüelas da bad trip, dos choques no sanatório e da esquizofrenia, doença diagnosticada depois da overdose. Em uma conversa, é comum ele se perder no raciocínio e perguntar em que ponto estava e, logo depois, dar gargalhadas. Há quem diga que Lanny passou por uma bad trip e nunca mais saiu dela.

Estes aí são trechos de um perfil que fiz do guitarrista Lanny Gordin, uma (ops) lenda da música brasileira. Coloquei ali no meu portfólio. Embora muito trabalhoso (e incompleto), foi um dos textos que eu mais gostei de escrever até hoje.

11 September 2007

Falando em memória

Filed under: Jornalismo, Ciências — Carlos Eduardo Moura @ 10:39

Trecho da matéria “Entre ratos”, sobre o neurocientista Iván Izquierdo, publicada na última Piauí:

Hoje, sabe-se que as sinapses crescem, diminuem, estão sempre em movimento e que a falta de estímulo pode atrofiá-las. Sempre que aprendemos algo novo, estamos fortalecendo ou aumentando a rede de sinapses. Se não usamos a memória, as sinapses se retraem e a informação se perde.

(…)

Todos querem saber o que se deve fazer para manter uma boa memória e quais são os primeiros sintomas do mal de Alzheimer, doença neurodegenarativa caracterizada pela perda irreversível e progressiva da memória. O professor [Iván Izquierdo] ensina que o melhor exercício para fortalecer a memória é a leitura, mais que outras atividades correlatas que exigem concentração e aprendizado, como assistir a um filme ou jogar um vídeogame. Ele explica que a leitura exige a simultaneidade de múltiplas funções cerebrais. (…) Ao compreendermos o sentido de uma única palavra, nossa memória de trabalho - aquela que funciona instantaneamente - faz o escaneamento cerebral que permite incluir ou descartar tudo que não está incluído num determinado contexto. Milhões de sinapases são ativadas em regiões cerebrais diferentes e novas associações são feitas a partir daí. Essa rede de sinapses sai fortalecida a cada vez que entendemos e armazenamos o que foi lido.

3 September 2007

Jornais e internet

Filed under: Internet, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:48

Só pra encerrar a discussão desse negócio de blogs e mídia impressa:

Mas é preciso ter um pouco mais de senso crítico e reconhecer que o tamanho destas cenas é muito pequeno. Quem escreve por aí que os blogs irão soterrar os jornais e revistas deve estar maluco. Acredito que as informações online de qualidade podem complicar sim a existência de jornais impressos. Mas, se isto acontecer, não será agora, com este estado das coisas e não será, em absoluto, por conta apenas de blogs. Será também por causa das versões online que os mesmos grupos midiáticos fabricam.

Ou seja: a cena dos blogs é muito menor e menos influente do que se alardeia, por mais que exista gente que realmente mereça ser levada a sério.

(Do Heart and Soul, Zé Ricardo Manini)

30 August 2007

A Trip quer ser Playboy?

Filed under: Mulheres, Fotos, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 11:07

Tenho notado que os ensaios da “Trip” têm ficado cada vez mais ousados. Estaria a revista querendo pegar o público da “Playboy”?

O ensaio da última edição, com Larissa Berbigier, está primoroso. Talvez o melhor que já vi nas páginas da revista. Mas ainda acho que a “Trip” deixa muito a desejar. Me irrita um pouco o tom de muitas matérias, como as das edições temáticas que eles vêm soltando há um ano.

19 August 2007

Larry Rohter fala

Filed under: Mundo, Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 12:54

O correspondente do “New York Times” Larry Rohther fala hoje, em entrevista ao caderno Aliás, do “Estadão”, sobre o episódio da sua quase expulsão do Brasil há dois anos, por feito uma matéria sobre os hábitos etílicos do presidente. A entrevista está muito boa. Mostra bastante a diferença de mentalidade entre EUA e Brasil. Nesse caso, o Brasil ainda deixa muito a desejar.

Trechos:

A imprensa brasileira é tolerante ou crítica demais com o poder?
A questão é outra. Governar é fazer coisas. E fazer jornalismo é criticar. A crítica é um elemento-chave na profissão. Não vou ao extremo do “si hay gobierno soy contra”, mas é papel da imprensa olhar os governos e dizer “aqui está errado”. Agora mesmo, o grave acidente aéreo de SP virou símbolo de uma crise maior. Quais as razões que levaram ao desastre em Congonhas? Não sabemos. Mas há uma crise maior, crise nos serviços, afinal, somos usuários, não há como negar. Então, por que dizer que a cobertura está exagerada? Quem não lembra das críticas ao apagão de energia, feitas pelo PT, no final do governo do FHC? Falta de planejamento, falta disso, falta daquilo. Era uma crítica perfeitamente compreensível. Lembremos de como Bush apanhou da imprensa americana depois do furacão Katrina. E mereceu apanhar! Ver aqueles velhos morrendo em frente do estádio foi terrível. Pois ver os corpos carbonizados em Congonhas produz o mesmo sentimento. O povo sabe julgar. E nós, na mídia, somos instrumentos dessa opinião pública que ora castiga, ora absolve.

(…)

Quando escrevo sobre praia, futebol e mulher bonita, tem gente que pensa que estou folclorizando o País. Mas esses assuntos são parte da realidade, não há como ignorá-los. Já quando escrevo sobre as mazelas brasileiras, como miséria e racismo, daí um setor ufanista se levanta e grita “não toque no País!” Amigos brasileiros já me disseram: “Nós podemos falar essas coisas, você não”. Sou admirador de Nelson Rodrigues, que cunhou aquela expressão imortal em relação ao brasileiro, o “complexo de vira-lata”. Isso entra nessa conversa.

(…)

Na ditadura, você correu o risco de ser preso. Agora, com o País redemocratizado, correu o risco de ser expulso. Como recebe isso?
Pior: em 2004 corri o risco de ser expulso com base em lei dos anos 70, dos anos de chumbo. O Lula, perseguido pela ditadura, recorreu a uma lei da própria ditadura para me punir. Horrível.

(…)

Hoje, se você estivesse com Lula numa entrevista, perguntaria o quê?
Na comissão que investigou o escândalo Watergate, o senador Howard Baker repetia sempre a mesma pergunta em relação a Nixon: “What did the president know and when did he know it?” É a questão fundamental. Pois eu perguntaria a Lula a mesma coisa em relação ao mensalão: “Presidente, o que o senhor sabia e quando soube?”

17 August 2007

Quem é o golpista?

Filed under: Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 9:27

Acho que o que mais me irrita nesse tipo de movimento como o “Cansei” é notar que muitos de seus líderes pedem uma moralidade exemplar, mas, no dia a dia, a coisa não é bem assim… sabe como é o jeitinho brasileiro. Cansei (ops) de ver empresário todo espumando de indignação frente ao governo e, na sua esfera de trabalho e vida pessoal, ser um péssimo patrão, tratar mal os funcionários, não ter respeito mínimo ao próximo. (Isso sem contar as pessoas que furam filas, desobedecem leis de trânsito, sonegam impostos, jogam lixo na rua etc.). É aquele velho lema: se você quer pedir moralidade, tenha uma moral minimamente decente. Infelizmente, não é isso que eu vejo por aí – existem as exceções de sempre, é claro.

Por outro lado, é de chorar ver que os adeptos do governo vêem os protestos contra o governo como uma coisa apenas elitista e golpista. Quer dizer, não pode mais falar mal do governo, agora?

O “Estadão” publicou ontem uma matéria excelente do Carlos Marchi, mostrando o grau de – não queria usar essa palavra, mas na falta de uma melhor, uso-a – imbecilidade. A matéria começa assim: A democracia está em xeque, acusou na semana passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao irritar-se com apupos de pequenos grupos em Cuiabá e Campo Grande. ”’Com a democracia não se brinca”’, ameaçou Lula, ”’porque o que vem depois dela é muito pior”’. A reação não combina com o tom duríssimo com que, durante 24 anos, ele vergastou governos e personagens a quem fazia uma oposição implacável.

É mais ou menos por aí. Marchi lembra que, sob o comando de Lula, o PT apresentou vários pedidos de impeachment contra FHC – que, aliás, foi chamado de “ladrão” e “corrupto”. (José Sarney foi chamado de grileiro e Itamar Franco, de imbecil.) Diz um trecho da matéria, citando fala de Lula: ‘Se eles (FHC e seus aliados) tivessem uma escola para ensinar a governar, eu não deixaria meus filhos entrar (sic), porque o máximo que meu filho ia aprender era roubar, e não governar.’

A matéria lembra o bordão “Fora FHC” lançado por uma corrente do PT, em dezembro de 1998. Mesmo não tendo aprovado o bordão, preferindo o “Basta de FHC”, Tarso Genro escreveu um artigo em maio de 1999 defendendo o “Fora FHC”.

Trecho da matéria: Só nos primeiros seis meses de 1998, um ano eleitoral, o PT fez cinco representações pedindo o impeachment de FHC, ao contrário da atual oposição, que evitou chegar ao impeachment no escândalo do mensalão.

Lula gosta de dizer que a eleição acabou em outubro, e que querem fazer um “terceiro turno” – como se todo mundo tivesse que ficar calado depois que um governo é eleito.

Em 8 de julho de 1999, o PT decidiu promover passeatas para pressionar a Câmara a iniciar um processo de impeachment contra FHC, explicou Lula à época, sem se dar conta de que a eleição acabara nove meses antes e ele tinha sido derrotado.

Na comemoração do 1º de Maio de 1997, em São Bernardo, Lula acusou FHC de estar ”metido na maracutaia dos precatórios, do Sivam, do Proer e da compra de deputados para a reeleição”. Em seguida, a CUT-SP comandou massiva vaia a FHC, à qual Lula assistiu com um sorriso maroto, sem achar - como acha hoje - que vaias ao presidente podem ameaçar a democracia.

A matéria lembra também que Lula já tomou vaias da esquerda (no Fórum Social em 2003, da CUT no mesmo ano, na fábrica da Mercedes em 2004 e pelos sem-terra no mesmo ano), mas nunca se incomodou muito. Chegou a dizer, na época, que achava a vaia tão importante quanto o aplauso.

Matéria completa aqui.

Não sabia

Filed under: Brasil, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 9:26

Coluna do Elio Gaspari, na “Folha” deste domingo:

NÃO SABIA
Aborrecido com o pessoal que o vaia e faz passeatas contra seu governo, Nosso Guia disse que “essa gente ficou contente com os 23 anos de regime militar”.

A ditadura durou 21 anos (1964-1985, com a eleição de Tancredo Neves), mas isso não tem importância. Pelo seu depoimento, durante os primeiros oito anos da “Revolução Redentora”, Lula estava na turma dos contentes. Nas suas palavras, numa lembrança de 1993: “No tempo do milagre, eu não pensava em política. A vida do trabalhador parecia um sonho. As empresas disputavam os empregados nas portas das fábricas, oferecendo condições e salários melhores”.
Lula só começou a achar que havia algo de estranho em 1972, aos 27 anos. Caso clássico de “não sabia”.

Pedro Doria no Digestivo

Filed under: Internet, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 9:25

Boa entrevista com o Pedro Doria no Digestivo.

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