Carlos Eduardo Moura | blog

4 January 2009

Reforma ortográfica

Filed under: Brasil, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 1:59

É difícil e fácil ser contra ou favor ao Acordo Ortográfico. Eu pessoalmente não gosto muito da idéia, apesar de ser a favor de normalizações em geral – e a palavra ideia (assim como assembleia e estreia) agora se escreve sem acento no “e”, o que é muito estranho para quem a usou por mais de 1/4 de século.

O português de Portugal também se adaptará, deixando de serem usadas, por exemplo, as consoantes mudas – como em concepção, aflicção, actor etc. O que faz certo sentido.

O trema também se vai embora. Uma bobagem tremenda. Como sinalizar que o “u” deve ser pronunciado? E o pára, do verbo parar, que agora não tem mais acento?

Além de Brasil e Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau (região administrativa especial da China que também fala o português) assinaram o acordo.

Não vejo muito sentido no Acordo. Cada um acabou desenvolvendo a sua própria língua. E é assim que tem de ser.

13 January 2008

Reparação

Filed under: Cinema, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 9:42

Ver o trailer da adaptação de “Reparação” (bizarramente lançada no Brasil com o título “Desejo e Reparação”), do Ian McEwan, me deu uma baita vontade de ir num cinema ver logo esse filme. Li o livro tem quase um ano e muitas cenas ainda estão bem frescas na minha cabeça - a da fonte, a da biblioteca, as cenas no hospital.

21 October 2007

A frase da página 161

Filed under: Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 6:10

A quinta da frase da página 161 do livro mais próximo (via Delfin):

“Ele respondeu que não.”

Ok, trecho mais insosso impossível. A frase está no novo livro do Diogo Mainardi, “Lula é minha anta” (editora Record), engraçadíssimo. Diria até que serve como um modelo de como se portar perante o poder: na base da paulada. Mesmo sendo uma coletânea de colunas já publicadas na Veja (de 2005 a 2007), o livro vale bastante a pena — o Mainardi ficou ainda mais afiado. E a campanha pra derrubar Lula é bastante cômica.

Esse negócio devia ser “escolha a frase mais legal do livro”. Ok, vamos lá, eu vou escolher uma frase legal, porque a quinta frase da página 161 não valeu:

“Continuo na mesma. Continuo tentando derrubar Lula. O assunto já ficou velho. Mas não consegui encontrar outro melhor. Lula é meu Moby Dick. Lula é minha Lolita. Lula é meu rato Ignatz. Há quem prefira que Lula perca nas urnas. Não me animo com essa possibilidade. Uma derrota nas urnas, por mais esmagadora que fosse, não teria aquele caráter de exemplaridade que a abertura de um processo criminal contra ele poderia ter.” (Esse trecho está na página 77)

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161 (ou em qualquer outra página);
3ª) Procurar a 5ª frase completa (ou qualquer outra frase);
4ª) Postar essa frase em seu blog (ou não);
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (bobagem…);
6ª) Repassar para outros 5 blogs (não precisa ser cinco, um tá bom).

A quem vou dar este trabalho chato? Deixa eu ver… Que tal , a Beatriz, e o Baiano? (Estou com preguiça de escolher os outros dois.) Bruno?

17 August 2007

O valor do amanhã

Filed under: Economia, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 9:27

Ao lançar há dois anos o livro O Valor do Amanhã, o economista e filósofo Eduardo Giannetti não se dirigiu ao leitor habitual de sua área, alertando no prefácio tratar-se de uma obra destinada a leigos. A idéia que o animava era bastante simples: ele falaria de juros, sim, mas não da maneira árida como se espera de um economista. O sucesso do livro foi tanto que inspirou uma série de dez programas de curta duração (10 minutos) inseridos no Fantástico, da TV Globo, a partir do próximo domingo. Dirigido pela cineasta Isa Ferraz, a série pretende mostrar como a vida das pessoas - do brasileiro, em particular - é afetada pela falta de planejamento, como se fôssemos exterminadores do futuro. Giannetti parte do princípio que todo ser humano, independentemente de sua conta bancária, é um economista intuitivo. Só que pode estar alocando recursos em lugar errado.

Matéria completa do “Estadão” aqui.

Acho que será uma série bem interessante, como foi a do Marcelo Gleiser sobre astronomia. Li o livro do Giannetti no começo do ano. Posso dizer que ele mudou um pouco a minha forma de pensar sobre algumas coisas. Giannetti não trata, no livro, de juros como uma instituição inventada por banqueiros gananciosos que querem explorar os outros; mas sim como uma coisa natural. As indagações principais são: viver o dia e simplesmente não se preocupar com o amanhã ou viver cada dia pensando no amanhã? Abrir mão de algo no presente pensando no futuro ou usar todo o disponível no presente da melhor forma possível? Viver agora e pagar depois ou pagar agora e viver depois?

(A partir daqui, segue um texto que fiz logo depois de ler o livro. Não sei porquê, devo ter esquecido, nunca publiquei-o aqui. Vai agora.)

Giannetti demonstra que o conceito de juros vai além do modelo praticado no mercado financeiro. A idéia de juros, diz ele, está presente em diversos processos naturais. A formação de gordura é um exemplo. Nosso corpo armazena calorias em excesso para consumo futuro, funcionando como uma espécie de “poupança” precaucionária.

O envelhecimento é outro exemplo. Nossos genes estão programados para dar seu melhor durante a juventude, ainda que isso implique custos futuros. A conta é descontada na velhice, com a decadência do corpo (senescência). “A plenitude do corpo jovem se constrói às custas da tibieza do corpo velho”, resume Giannetti. Viver agora, pagar depois.

Há uma boa razão para que nossas células dêem o seu melhor o quanto antes: a vida no ambiente natural pode ser extremamente arriscada e o perigo de morte acidental ou em brigas pela sobrevivência é grande.

Nosso passado ancestral exigia grande vigor físico no presente. Por isso, “o corpo jovem toma recursos adiantados do corpo velho, faz a festa, canta a vida, lança fogos e balões a que tem direito e empurra o ônus da dívida para o amanhã”.

Mas o ser humano não se resignou à sua condição natural. Ao passar dos anos, ele se distanciou do seu passado ancestral primitivo e passou a fazer escolhas pensando no futuro, de forma mais ou menos sistemática. “O pano de fundo dessa mudança radical foi a ampliação da percepção do tempo – um extraordinário alargamento da faculdade de imaginar o futuro e reter na memória a experiência passada visando conhecer e modificar o amanhã”, explica o autor.

Mundo vegetal
Ainda no terreno da biologia, o mundo vegetal, pródigo em poupar e mudar tendo em vista sua sobrevivência, dá outros exemplos. Algumas plantas e árvores, antes de iniciarem a desfolha, têm o cuidado de evacuar das folhas seu conteúdo, absorvendo assim os nutrientes – sais minerais e nitrogênio – em seu metabolismo. Esses vegetais estocam esses recursos no tronco ou no caule para uso futuro.

Árvores frutíferas também têm outro mecanismo interessante. Para elas, apenas produzir sementes não basta. É preciso espalhá-las para que possam germinar. Diz o autor: “Elas (as frutas) clamam, por assim dizer, por serem comidas e saboreadas, mas não sem antes fixar uma condição crucial.”

“As árvores que dão frutos não se limitam a praticar a arte e o engenho da paciência em seu metabolismo – elas ensinam aos animais o saber esperar.” A fruta madura é aquela cujas sementes estão no ponto certo para serem espalhadas por animais e insetos. Quando verdes ou passadas, têm gosto amargo. Quando maduras, são a recompensa que os vegetais oferecem aos que, agindo no momento certo, involuntariamente contribuem para a manutenção do seu ciclo reprodutivo.

Vida breve
Apesar de não sabermos por quanto tempo viveremos, pensar no futuro é uma necessidade humana. Escolhas têm de ser e são feitas todos os dias. Mas que peso atribuir ao futuro, em contraposição ao momento? Seria mais interessante colocar “mais vida em nossos anos” ou “mais anos em nossas vidas”?

Nos últimos tempos, registrou-se um rápido aumento da longevidade. Nunca foi tão importante planejar a vida para daqui a 30 ou 40 anos. A média de esperança de vida mundial passou de 53 anos em 1960 para 67 anos nos dias de hoje. A esperança de vida aumentou mais nas quatro últimas décadas do que nos 4 mil anos precedentes (impressionante este dado, não?). Quem nasce hoje vive quase o dobro do que vivia alguém nascido no início da revolução industrial do século XVIII.

E viver por mais tempo quer dizer estar preparado para uma nova vida depois da aposentadoria. “Um repensar de valores e formas de vida e um conjunto de providências práticas que dizem respeito à maturidade e à velhice mas deveriam se fazer presentes desde as etapas formativas da infância e juventude”, diz Giannetti.

Miopia e hipermetropia
No livro, Giannetti aborda também os fenômenos de miopia e hipermetropia temporais. No primeiro caso, é quando o indivíduo atribui um valor demasiado ao presente, em detrimento daquilo que está mais à frente. Com a hipermetropia é o contrário, ou seja, quando é atribuído valor excessivo ao amanhã, em prejuízo do presente.

De um lado, o sujeito que vive apenas o presente sem se importar muito com o futuro e do outro o que se preocupa com o futuro ao invés de pensar mais no presente.

Tornar-se um poupador inveterado e guardar tudo para o amanhã pode ser arriscado. O dinheiro, um recurso que, em tese, deveria melhorar a vida no presente, pode vir a tornar-se um senhor tirânico. Em nome do quê tamanho apego ao dinheiro?

No outro oposto, viver em um eterno carpe diem também pode ser igualmente arriscado. Afinal, o futuro pode ser extremamente árido e doloroso para os imprevidentes que não planejaram a vida para uma existência mais longa.

Bom, eu vou parando por aqui. Assistam à série. Acho que vai valer a pena.

Chamamos isso de autocrítica, saca?

Filed under: Mundo, Política, Jornalismo, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 9:08

“A Arte da Entrevista”, coletânea de entrevistas organizada pelo Fábio Altman, é bem bacaninha. Tem algumas entrevistas muito boas, como as do Freud, do Al Capone e do Hitchcock (que é onde estou agora).

Tem outras que também são muito boas, pelo menos pra você ler e ficar xingando os camaradas mentalmente: Hitler, Mussolini, Marx, Getúlio Vargas, Mao Tse-tung etc.

A entrevista com o Stalin é exemplar neste sentido. Já ouvira falar muito que o HG Wells, que entrevistou o safado em 1934, era um completo analfabeto político, mas nunca pensei que ele chegasse a tanto. Abaixo uns trechinhos.

Stalin – É, eu sei, e isso pode ser explicado pelo fato de a sociedade capitalista encontrar-se no momento em um beco sem saída. Os capitalistas buscam, mas não conseguem encontrar, uma saída para esse cul de sac compatível com a dignidade, com os interesses da classe. Eles podem, até um certo ponto, sair da crise engatinhando, mas não conseguem encontrar uma alternativa que permita sair de cabeça erguida, que não perturbe os interesses dos capitalismo.

(…)

É óbvio que o velho sistema está desmoronando, decaindo. Isso é verdade. Mas também é verdade que novos esforços estão sendo feitos para com o uso de outros métodos e de novos meios para proteger o sistema decadente. (…)

Wells – (…) Ela (uma organização de escritores) insiste na livre expressão de opiniões – mesmo de opiniões opostas. Espero discutir esse assunto com Gorki. Não sei se os ingleses estão preparados para tanta liberdade…

Stalin – Nós, os bolcheviques, chamamos isso de “autocrítica”. Ela é muito usada na URSS…

(CLARO! CLARO QUE SIM!)

(Em maio de 2007)

Dez livros

Filed under: Egotrip, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 9:06

…importantes pra mim:

1. O Estrangeiro, Albert Camus
2. Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Márquez
3. Lolita, Vladimir Nabokov
4. O afeto que se encerra, Paulo Francis
5. O Complexo de Portnoy, Philip Roth
6. A mulher do próximo, Gay Talese
7. Breve história de quase tudo, Bill Bryson
8. Dentro da Baleia, George Orwell
9. Reparação, Ian McEwan
10. Vinte mil léguas submarinas, Júlio Vern

(Em abril de 2007)

Sonhos

Filed under: Ciências, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 8:49

Leio no excepcional “O mundo assombrado pelos demônios”, do Carl Sagan, que há um período na infância em que alguns sonhos são considerados reais e que as crianças tomam os acontecimentos desses sonhos como se fossem equivalentes às experiências reais. A partir daí passam a contar histórias fabulosas sobre monstros terríveis que se escondem debaixo da cama, extraterrestres abrindo a janela, amigos imaginários etc. – que vieram, obviamente, de seus sonhos. (Os sonhos, nem é preciso dizer, são fruto do que as crianças estão expostas no dia a dia – filmes, histórias, livros, convivência com família, educação etc.)

A distinção entre vida real e sonho (ou ilusão) é conquistada aos poucos, muito lentamente, até os dez anos de idade, mais ou menos. Após isso, uma pessoa normal consegue distinguir claramente as coisas. Menos, é claro, os desequilibrados – que continuam a pensar, vamos dizer assim, como crianças.

Sempre fiquei intrigado com o poder que crianças têm de ver ou fantasiar coisas. Quando era criança, não me lembro de ter passado por nada do tipo. Nenhuma visão. Nenhum monstro terrível. Que pena.

E um PS interessante: Sagan diz que parte dos motivos para as crianças terem medo do escuro e fantasiarem monstros etc. é porque, até pouco tempo, elas nunca dormiam sozinhas, mas sempre protegidas por um adulto. No nosso mundo, diz ele, “nós as enfiamos num quarto escuro, damos boa-noite e temos dificuldade em compreender por que elas às vezes ficam perturbadas”. Num mundo mais primitivo, esse medo impede que crianças indefesas se aventurem longe dos seus pais. “Como esse mecanismo de segurança pode funcionar para um jovem animal forte e curioso senão pela produção artificial de um forte terror? Os que não têm medo de monstros tendem a não deixar descendentes.”

(Em janeiro de 2007)

Jornalismo participativo

Filed under: Jornalismo, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 8:38

Tenho um sério problema com o jornalismo gonzo. A impressão que eu tenho é de que o narrador, em primeira pessoa, como é próprio do estilo, quer ficar toda hora falando “Ei, olha só, leitor, como eu sou legal e batuta!”.

Em boa parte das matérias do tipo que leio, o infeliz está lá, querendo se exibir, fazendo malabarismo a torto e a direito. Isso me irrita, quase sempre.

Há quem faça isso de um jeito bonito? Há, claro que há; mas não me vem à cabeça nenhum nome agora.

Enquanto penso nisto, me vem à cabeça dois nomes: Gay Talese e Otavio Frias Filho. Talese se colocou no final do estupendo “A Mulher do Próximo”, mas, com muita classe e elegância, em terceira pessoa. O resultado é primoroso.

Frias, em “Queda Livre”, narra em primeira pessoa sete situações “limites”, no que ele preferiu chamar de “descidas até os círculos do inferno pessoal” (saltou de para-quedas, foi à selva amazônica atrás do Santo Daime, fez o Caminho de Santiago, frequentou casas de swing etc.). Neste caso, o fator “primeira pessoa” não atrapalha, já que o trabalho de pesquisa e a contextualização histórica são pontos fortes.

(Em setembro de 2006)

Em Parati, pra Flip

Filed under: Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 8:29

Amanhã começo a postar alguns breves comentários das palestras que assisti na Flip (Festa Literária Internacional de Parati) deste ano.

Gostei bastante das mesas do Fernando Gabeira e do Christopher Hitchens e da de Lillian Ross e Philip Gourevitch. As duas tinham como assunto o jornalismo. Pena que a do Gabeira/Hitchens acabou descanbando pra política internacional e o jornalismo em si foi muito pouco discutido.

Já a palestra do Tariq Ali, que decidi assistir com uma dose de receptividade acima do normal, me decepcionou bastante. A começar pelo manifesto ingênuo pedindo “cessar-fogo imediato” de Israel que ele fez circular na feira. Ingenuidade tem limite.

Eu gostaria mesmo era de ter visto Hitchens e Ali se pegando num debate. Ia pegar fogo.

Com relação ao público, na quinta-feira a cidade ainda estava bem vazia. O pessoal começou a chegar pra valer na sexta. Sábado e domingo, todas as palestras estavam praticamente lotadas. E à noite, os barzinhos também.

Comprei um livro apenas, “Amor, Pobreza e Guerra”, do Hitchens. Queria ter comprado os do Jonathan Safran Foer também, mas não deu. Peguei um livro-coletânea de contos e poesias publicado pela revista “Granta” e pelo British Council. E ganhei dois livrinhos do Delfin: um do Breno Kümmel e outro pequeno livro de contos de autores da Editora Paradoxo.

Amanhã escrevo mais.

(Em agosto de 2006)

Lolita

Filed under: Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 8:27

Início de “Lolita”:Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.

Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.

(Em julho de 2006)

O meu Pasquim

Filed under: Jornalismo, Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 8:12

Para efeitos de comparação, o Pasquim foi a nossa New Yorker. Um fenômeno nos anos 1970. Mesmo sem grana por trás, fez história no jornalismo brasileiro. Lançou e consagrou, vamos dizer assim, jornalistas e cartunistas que hoje são cultuados (ohh…): Paulo Francis, Ziraldo, Jaguar, Ivan Lessa, Millôr Fernandes, Fortuna, Henfil etc. O time era bem mais eclético, escreviam também escritores, músicos e cineastas – como Vinicius de Morais, Caetano Veloso, Chico Buarque, Glauber Rocha, Dalton Trevisan, Antonio Callado, Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony etc.

Lançado em 1969 com 20 mil exemplares semanais, um ano após o endurecimento (ui) do regime militar, o Pasquim chegou aos 200 mil no seu auge. Fizeram fama da publicação não só o time de colaboradores, mas também as antológicas entrevistas (feitas em grupos , regadas a álcool e editadas com muita coloquialidade) – sendo a mais famosa a da atriz Leila Diniz, pontuada de palavrões, que eram substituídos por asteriscos. Senão me engano, o velho Pasca acabou em 1982.

Bom, falo tudo isso porque saiu recentemente pela editora Desiderata uma seleção de páginas do jornal, feita por Jaguar e Sérgio Augusto. “O Pasquim - Antologia 1969-1971” reúne material dos 150 primeiros números. Ainda não comprei, mas com certeza comprarei – assim que tiver alguma grana, pois o livro custa R$ 69 (352 págs.). Mas acredito que valha a pena.

Em 2001, Ziraldo e seu irmão Zélio resolveram ressuscitar o cadáver. Óbvio que foi um fracasso, mas durou bastante, até – a última edição circulou em 2004. Comprei os primeiros números, mas depois de um tempo cansou – aquele bando de velhos falando bem do governo Lula me dava engulhos. Além de tudo, alguns números eram bastante chatos. E as entrevistas… ahh, melhor nem comentar.

Se eu fosse fazer hoje um jornal alternativo decente, um filho do Pasquim, aqui está a minha lista de colaboradores:

Ivan Lessa (de Londres), Alexandre Soares Silva, JP Coutinho (de Portugal), Millôr Fernandes, Reinaldo Azevedo, Sérgio Augusto, Arthur Dapieve, Mario Sergio Conti, Xico Sá, Dorrit Harazim, Paulo Polzonoff Jr., Tutty Vasques, Pedro Doria, Dalcio Machado, Flávio Rossi, Angeli e Adão Iturrusgarai.

Paro por aqui, não sem antes deixar o link para o livro. Clica.

(Publicado em março de 2006)

O Código da Vinci

Filed under: Literatura — Carlos Eduardo Moura @ 8:11

Não sou o que se pode chamar de “crítico literário”, mas não posso deixar de comentar: comecei a ler o mega-best-seller-uau-super-instigante “O Código da Vinci” e não consegui passar da página, opa, deixa eu pegar o livro, da página 25.

Confesso que peguei o livro com um certo preconceito. E larguei-o em cima da mesa com um preconceito maior ainda. Fazer o quê?

Um dia, talvez, eu tento novamente. Talvez…

(Publicado em março de 2006)

Powered by WordPress