Carlos Eduardo Moura | blog

1 November 2008

Gente insuportável

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 12:35

Acho um porre pessoas que querem representar uma classe, em vez de representarem a si mesmos. Jornalistas com MTB debaixo do braço, negros de “carteirinha”, gays que defendem uma “bandeira” são uma gente chata ao extremo. Insuportáveis.

Esses dias, assistindo ao Jornal da Globo, vi uma reportagem sobre os negros de Chicago, mais precisamente da região onde Barack Obama nasceu. Entoavam uma música: “Quem for negro e não votar em Obama, perderá sua carteirinha de negro”. Dizer o quê? Tem que ter carteirinha agora?

Na disputa Kassab x Marta houve algo parecido. Diante das fatídicas perguntas “É casado? Tem filhos?”, no programa eleitoral martista, houve uma grita contra. Marta sempre foi uma espécie de defensora dos gays e oprimidos (no que está certa), por isso a estranheza e a ralhação geral. Insinuava-se, na propaganda, que Kassab seria gay e, por isso, teria menos capacidade para ser prefeito. Uma besteira, é claro.

Os defensores de Marta (alguns dos “blogueiros com Marta”) rebateram acusando “hipocrisia” da mídia (é sempre fácil desviar do assunto e acusar alguém de hipocrisia, né?). Marta disse que não sabia da propaganda (a la Lula). Alguns blogueiros chegaram a pedir, pelo bem da causa, que Kassab assumisse.

Quanta bobagem.

20 September 2008

Algumas palavras sobre Lula

Filed under: História, Brasil, Egotrip, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 2:30

Vou dizer em poucas palavras o que penso do presidente Lula. Segurem-se.

Escrevo este texto por dois motivos: pelo texto de Rafael Galvão (que não leio, mas foi linkado em alguns blogs que leio) e pelas declarações de Lula sobre o casamento gay.

Sobre o casamento gay. Eu acho que cada um faz o que quiser de sua vida, desde que siga condutas minimamente aceitáveis por todos - como, sei lá, não matar, não roubar etc. Não precisa nem ser educadinho e gentil.

Se dois homens e/ou duas mulheres querem casar-se entre si, ok. São livres para fazer o que quiserem. Não é o Estado ou uma religião que deve proibi-los. A religião até pode dizer: “Olha, isso não é legal, você vai pro inferno”, etc. e tal, porque uma religião segue quem quer. Não tem efeito legal nenhum, num Estado laico. Mas o Estado não pode ter o direito de interferir na vida das pessoas.

Sobre o texto do Galvão (haaaaja coração…!). Acho que o maior mérito do Lula foi não ter feito nenhuma bobagem na economia. Seguiu a política de FHC que vinha dando certo - de cabo a rabo. Deixou técnicos no Banco Central e botou lá um bobão feito o Guido Mantega pra fazer figuração no Ministério da Fazenda. Ok, faz parte. Ainda bem que Lula perdeu as eleições anteriores a 2002 que disputou. Imagina o Lula querendo estatizar os bancos…

Diz o Galvão: “Ao longo dos últimos seis anos, assisti à oposição fazer de tudo para desacreditar o presidente que eles não conseguiram derrubar”.

À oposição cabe fazer oposição. O PT passou bons anos fazendo isso, de forma tosca muitas vezes - quem se lembra das críticas ao Plano Real? Era torcida contra mesmo. Mas se renderam, depois. Não acho que a oposição quis derrubar Lula. Sempre há as exceções. Mas, no geral, havia a tese do “vamos deixar Lula sangrar”. Sangrou, não caiu e ainda por cima voltou mais popular. Faz parte do jogo.

Aliás, registre-se aí que, no auge do mensalão, Lula pedia a Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, para “conversar com o Fernando Henrique”, para tentar esfriar as coisas. E FHC atendeu aos pedidos e, realmente, deu uma esfriada na coisa. Fico tentando inverter isso e não consigo imaginar Lula pedindo menos ímpeto de seus correligionários. Isso me lembra Tarso Genro gritando e pedindo a renúncia de FHC… golpistas, sei, sei.

“Chamaram-no de despreparado — e com o ele o Brasil passou a ter uma proeminência internacional que está matando Fernando Henrique Cardoso de inveja e despeito, aos pouquinhos”.

A gente podia dar uma incrementada na frase acima, sei lá, sugestão: “Chamaram-no de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam o país inteiro em puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”. Que tal?

O Brasil vem crescendo, se desenvolvendo e ganhando “proeminência internacional” não por conta de Lula, e sim por conta de um processo, lento, que teve início no governo Collor, quando o país se abriu ao mundo. Lula vem dando seqüência. Poderia até dizer que o Brasil cresce “apesar do Lula no governo”, mas hoje já não é mais por aí.

“Chamaram-no de analfabeto — e ele criou o ProUni.”

O que tem a ver uma coisa com outra? E o ProUni, bem, o ProUni… aquele projeto que paga faculdades fundo-de-quintal para receberem alunos de baixa renda, negros e indígenas, que não teriam condições de entrar nas federais ou nas boas particulares. Sou totalmente contra. Mas acho que não vem caso discutir isso agora. Fica pra uma próxima.

“Lula venceu. E a oposição jamais vai conseguir admitir que, do pedestal de sua arrogância, de sua escolaridade, perdeu para um pau-de-arara de Garanhuns, que mostrou que não era ela a mais preparada para dirigir um país do tamanho do Brasil. E por não entender isso, por discordar do projeto de país encabeçado por Lula, essa oposição se perdeu completamente, pregou o golpe às vésperas da eleição, apostou na mentira e no engodo, se recusou a admitir que o país estava melhorando.”

Lula venceu e governou. A oposição aceitou e faz - porcamente, vá lá - oposição. Não vi - mais uma vez - pregação de golpe. Esse pessoal adora deixar as coisas mais heróicas e dramáticas. Menas, menas. Só falta dizer que Lula precisou pegar em armas para ir para o poder. Lutou semanas contra a oposição raivosa e golpista, combateu e foi combatido, sangrou e fez sangrar, matou e morreu um pouquinho (é highlander), mas sobreviveu e mudou a história do Brasil. É isso aí mesmo. Bem por aí. Nunca antes na história deste país tivemos um presidente tão corajoso e gostosão - só o Gegê chegou perto.

“…eu aproveitava para tirar fotos da bundinha do presidente.”

Preciso comentar?

“Tem a ver com uma posição tomada que, mais uma vez, me deu orgulho do presidente que tenho, em quem votei e de cujo projeto indiretamente faço parte. Lula foi o primeiro presidente a dizer que é a favor da união civil de homossexuais, e a Igreja que se vire com isso. Eu tenho orgulho de ter um presidente como Lula.”

Olha, não vou pesquisar se outros presidentes disseram isso ou não. Mas ter orgulho de político? Pedro Sette Câmara escreveu a frase perfeita: “O que me parece pueril e vergonhoso é o fervor que se pode sentir por um político” (ele escrevia sobre Sarah Palin e Barack Obama). É isso.

Além disso, o que mais dá pra falar? Lula é craque em soltar pérolas. “Nunca antes na história desse país…”, e tome discurso populista sobre qualquer assunto possível: petróleo, educação, saúde, moradia, segurança, política externa, futebol etc. Quantas vezes você viu FHC falar de “herança maldita”? E olha que ele tinha motivos. Depois do furação provocado por Collor, o país estava fodido, basicamente - a inflação anual chegou a 2.477% em 1993. Em 98, a inflação chegou a 1,6% por ano.

Para muitos defensores de Lula, parece que figuras como Delúbio Soares, Silvinho “Land Rover” Pereira, Marcos Valério e Duda Mendonça nunca existiram. É tudo conspiração da elite pra derrubar o operário na presidência. E o Meirelles no Banco Central, hein? Não era pra ser a Maria da Conceição Tavares? Tadinha dela…

Acho um tédio ainda ficarmos discutindo isso. Tchau.

16 July 2008

Satiagraha

Filed under: Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 3:25

Olha, até tentei ler um pedaço do tal relatório do tal Protógenes, o tal delegado que foi afastado da tal operação Satiagraha (que nominho…). Eita cabôco que escreve mal! Devia voltar pra escola, mesmo!

Não é a toa que a justiça no Brasil seja assim, morosa e impune contra os “poderosos”. Como é que se vai colocar gente do calibre de Daniel Dantas na cadeia, escrevendo um relatório manco desse jeito?

Além do mais, esse tipo de operação, com prisão vai-e-volta e habeas corpus pra lá e pra cá, só parece dar fôlego à defesa, que vai espernear por conta de uma suposta “espetacularização” de tudo e vai deitar e rolar com um relatório frágil e cheio de erros. Saca só a redação:

DANIEL orienta pular fora do negócio, diz que tem coisa estranha que não sabe o quê que é. Acha que tem fundo de comércio, atingir de qualquer jeito. Briga que não vale a pena. Diogo (Mainardi) chamou atenção apoio institucional ‘eles’ atacarão de qualquer forma se sentirem acoados. DANIEL quer recuar. ‘Ele’ não tem limite, ninguém sabe contra o quê ele está brigando. Diogo mandou esse negócio para os Procuradores. DANIEL diz que ‘ela’ já recuou. DANIEL está preocupado. DANIEL aconselha a não fazer. Referente ao assunto TELECOM ITÁLIA. Assunto TELEMAR pode continuar. Ele é muito nervoso. DANIEL diz que ‘ele’ está comprometido demais.

E aí, deu pra entender alguma coisa?

10 June 2008

É pra saúde

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 10:11

Com a desculpa esfarrapada de compensar as perdas com o fim da CPMF, governo e aliados querem criar um novo imposto: a CSS, a Contribuição Social para a Saúde. O principal argumento é este: com o fim da CPMF, a área da saúde ficou sem grana. A CPMF tributava em 0,38% as operações financeiras – deste porcentual, apenas uma parte era destinada à saúde.

Com a CSS, quer se tributar sei lá mais quantos porcento (0,10%, salvo engano). “É pra saúde, que ficou sem dinheiro graças à oposição que derrubou a CPMF”, dizem os aliados.

Eles só esquecem de dizer que, para compensar o fim da CPMF, o governo aumentou, no comecinho do ano (no dia 2), uma batelada de impostos: aumentou em 0,38% as alíquotas de IOF (para operações de crédito e câmbio) e duplicou o mesmo imposto para operações de crédito a pessoas físicas. Além disso, aumentou de 9% para 15% a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro.

Quer dizer, a CSS é uma cascata enorme. E tem gente que engole, “pois o dinheiro é pra saúde, e com saúde não se brinca”. Pfff, tá bom.

14 May 2008

Direita? Esquerda?

Filed under: Egotrip, Nonsense — Carlos Eduardo Moura @ 7:51

Sou de direita liberal, segundo o Politicômetro da Veja. Não vejo com bons olhos a interferência do estado na economia e recuso qualquer restrição à liberdade individual.

29 April 2008

Ficou bravo

Filed under: Brasil, Nonsense, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:31

Nada como lembrar quem são e como agem algumas pessoas…

7 April 2008

Veja e Nassif

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 11:30

Há algumas coisas engraçadas nessa discussão sobre o jornalismo praticado pela revista “Veja”. Luís Nassif vem publicando uma série de textos sobre a revista. E muita gente vem saudando como “jornalismo independente”. Na série, Nassif denuncia muitos “jogos de interesse” por trás das matérias. Em algumas coisas, até acho bem provável o que ele diz. Noutras, pura bobagem.

Nassif também tem interesses por trás, cabe destacar. Trabalha pro iG, cuja controladora é a Brasil Telecom, que vive às turras com Daniel Dantas. O que faz Nassif? Solta a lenha em Daniel Dantas e suas “relações com jornalistas” de “Veja”. Elementar. Seguindo sua lógica, também poderíamos supor que escreve “a soldo” de interesses escusos.

E há mais. Em uma coluna em “Veja”, Diogo Mainardi revelou que Nassif havia publicado um texto com trechos idênticos (até nos erros) a um release emitido por Luiz Roberto Demarco (dono da tal “lojinha do PT”), que também está na briga com Daniel Dantas. Nassif viu sua credibilidade cair, e muito, por conta deste episódio. Foi inclusive demitido do jornal “Folha de S. Paulo”.

Na série sobre a “Veja”, Nassif pinta Mainardi como jornalista inexperiente (“jornalista sela”, que monta em qualquer coisa), sugerindo que faz o jogo de Daniel Dantas ou por ser ingênuo ou por agir de má-fé, mesmo. Vai dizer que isso não é vingança?

Apesar de eu não ser leitor de “Veja” – leio apenas as colunas de Mainardi e eventualmente uma ou outra coisa -, acho que ela cumpre importante papel neste governo Lula. É a única que parte pro confronto direto.

Como já disse aqui uma vez, “Veja” faz jornalismo e toma partido. Não vejo nenhum problema nisso. “CartaCapital” também o faz, e não vejo seus leitores reclamando disso. Pelo contrário.

“Veja” pega pesado, algumas vezes? Pega, sim. Acho saudável, até, perante este governo.

18 December 2007

Quebra-pau Mainardi x Amorim

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 5:25

Fato é: eu adoro um quebra-pau.

Paulo Henrique Amorim, o baixinho do iG,  está processando Diogo Mainardi, nas esferas cível e criminal. Ontem, eles se encontraram, na frente da juíza, para tentar acordo. Não rolou, obviamente.

Trechos do site Consultor Jurídico:

“Perdi! Não vou conseguir metê-lo na cadeia!” A frase foi dita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim ao sair da sala de audiências da 1ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros, em São Paulo. Amorim, blogueiro do portal iG e animador de programas da TV Record, queria colocar na cadeia o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, porque este escreveu que ele, na fase descendente de sua carreira, foi contratado pelo portal iG por R$ 80 mil e se engajou pessoalmente “na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”.

(…)

“Eu não o processo quando você me chama de caluniador e fascista em seu blog”, disse Mainardi a Amorim. “Ou a minha credibilidade não é atingida quando você escreve que eu sou fascista?”, questionou. “Mas isso é opinião, não matéria de fato”, respondeu Amorim. “Então, o que você diz é opinião e o que eu digo é fato? Ok, assino embaixo”, ironizou Mainardi.

(…)

Para se vitimizar, Amorim fez a única coisa que não gostaria de fazer: reconheceu o sucesso do inimigo.

(…)

“Reagi dessa maneira porque nunca antes fui ofendido dessa maneira”. Mainardi foi gentil: “Obrigado, pelo espetáculo”.

9 December 2007

O baixinho do iG ataca outra vez

Filed under: Brasil, Nonsense, Política, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:28

Prometo que esta é a última vez que falo neste blog de Paulo Henrique Amorim, o baixinho do iG. Ele me saiu com uma tirada tão espirituosa dia desses, que não resisti. Vou agrupar num parágrafo só pra agilizar:

“O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso chamou o Presidente Lula de analfabeto. Disse que o Presidente Lula não sabe falar a Língua Portuguesa (clique aqui). Como no Brasil, quem é analfabeto é pobre, negro e nordestino… E como, no Brasil, quem não sabe usar a Língua Portuguesa é o pobre, o negro e o nordestino, Fernando Henrique Cardoso é racista e tem preconceito social…”

Primeiro achei que era uma ironia, até pelas reticências…, mas depois vi que era meio sério o negócio, porque num outro texto PHA diz que mandou esse texto brilhante para a Universidade de Brown, onde FHC é professor: “O Conversa Afiada achou recomendável encaminhar este Máximas e Mínimas e todos os que aqui se referiram ao racismo e ao preconceito do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao diretor, aos professores e aos alunos do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, onde FHC é “professor at large” e posa de estadista”.

Voltando ao primeiro texto: FHC disse que Lula não usa direito a língua portuguesa. FHC não disse que Lula é analfabeto. Analfabeto é quem não sabe ler e escrever. Tem muita gente que fala errado, mas não é analfabeto, sabe ler e escrever. Lula não é analfabeto, embora pareça (ok, péssima piadinha, reconheço…).

No resto, tirando as vírgulas fora de lugar, a seqüência que fala que quem não sabe usar a língua portuguesa “é pobre, negro e nordestino” e que, portanto, FHC é racista e tem preconceito social, é de uma lógica límpida, cristalina. Brilhante mesmo.

Paulo Henrique Amorim não sabe o que quer dizer analfabetismo e racismo. E ainda quer posar de jornalista moralmente superior.

Ao receberem o raciocínio torto de PHA, o diretor e os professores da Universidade de Brown devem ter gargalhado do infantilismo do nosso baixinho.

28 September 2007

Record News

Filed under: Brasil, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 3:46

Ouvir o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus reclamar do “monopólio da informação” da Globo, quinta-feira, na inauguração da Record News, foi demais. Monopólio? Que monopólio?

O bispo (tratado como “senhor” na transmissão) reclamou da “injustiça” que a Globo teria feito com ele. Na hora de falar que a Globo mantinha monopólio, quase disse a palavra “manipulava”… ele se ressente do fato de a Globo ter noticiado a prisão dele, alguns anos atrás. O bispo deve se achar um santo.

“Fomos injustiçados por muitos anos nas mãos de um grupo de comunicação que mantinha e mantém, por enquanto, o monopólio da notícia do Brasil.” Injustiçados. O bispo Edir Macedo foi preso em 1992 sob acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. Quem já foi em um culto (nem precisa ir, basta ligar de madrugada na Record) sabe como o que eles fazem é nojento e extorsivo. Faz-se de tudo pra tirar dinheiro do povão.

E os bacanas acham demais o bispo ter um império de comunicação nas mãos. Achavam nojento as tramóias da Globo com os militares; mas acham normal o que o bispo faz. Devem até achar normal as demonstrações de intolerância por parte dos bispinhos de tevê da Record contra outras religiões. A Universal é uma máquina de explorar e capitalizar a ignorância.

As duas primeiras entrevistas da Record News foram emblemáticas: Lula e Renan Calheiros. As duas entrevistas foram no tom chapa-branca. É assim que eles querem combater o “monopólio” da Globo? Digo isso porque já fico com um pé atrás de todo veículo que, quando leva ao público seu primeiro respiro, trata de botar o governante da vez. É deprimente. O jornalzinho da cidade lança seu primeiro número, e quem vai pra capa? O prefeitinho. O vereadorzinho.

(E Fafá de Belém cantando o hino nacional foi algo extremamente constrangedor. Não pude deixar de notar, no público presente, aqui e ali caras constrangidas. Foi deprimente mesmo.)

A entrevista de Lula também foi patética. Lula agora só sabe falar mal de FHC, no estilo “nunca antes neste país”, “eles não fizeram nada”, “nós fizemos tudo”, “eles estão é com inveja”. A pérola: “FHC deveria estar feliz. Se tem um homem que deveria estar feliz, era ele, porque consegui fazer o Brasil que ele aspirou e não conseguiu”. Lula acha que as coisas acontecem da noite pro dia num passe de mágica (quando a notícia é boa, ele acha isso; quando as coisas não andam direito, dá um jeito de invocar o governo FHC). Ele já anda até dizendo que o principal responsável pela estabilidade econômica foi ele. Tem tolo que engole isso, ainda por cima.

US$ 7 milhões foi o investimento feito (pelo menos o declarado). De onde veio essa dinheirama toda? Com certeza não foi da Record. Veio do dízimo arrecadado pela Universal, supõe-se.

O “empresário” e “senhor” Edir Macedo é aquele flagrado em gravações nada santas, quando ensinava outros “bispos” da igreja como pedir dinheiro pro povo. O vídeo, que Edir Macedo tentou tirar da internet, está disponível no YouTube.

Você tem que chegar e se impor. “Ó, pessoal, você vai ter que ajudar agora na obra de Deus. Se você quiser ajudar, amém. Se você não quiser ajudar, Deus vai achar outra pessoa pra ajudar. Amém!” Entendeu como é que é? Se quiser bem. Se não quiser, que se dane! (…) O povo quer ver o pastor brigando com o demônio. (…) É isso mesmo: botar pra quebrar, vira cambalhota… Então o povo fica louco. É isso aí, é isso aí, entendeu como é que é?

Este é o homem que vai brigar contra o “monopólio” da Globo. Deplorável.

17 August 2007

Dúvida

Filed under: Brasil, Nonsense — Carlos Eduardo Moura @ 9:21

Fico aqui numa dúvida cruel. Quero saber quem consegue ser mais bobão, feio e cara de melão: se o pessoal do movimento “Cansei” ou se o Mino Carta (ou o Paulo Henrique Amorim, tanto faz). Hmmm. Lendo o Mino, fui falando pra mim mesmo “ah, coitado, ele já tá velhinho e tal, deve ser a idade…”, mas não pude deixar de rir quando ele disse: “Acorda Lula, chama o teu povo.” Convulsionei na hora. (E ainda faltou uma vírgula ali.) Tocante. O “teu povo”. O povo foi privatizado, agora. O povo é do Lula, o Lula é do povo. E é isso aí. Deu merda, vamos ao povo, fazer aquele discurso bem forte contra “as elites”…

(Em julho de 2007)

O suicídio da honra

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 9:12

“Querem assassinar minha honra”, afirma Renan Calheiros

Foi suicídio, e não assassinato.

Só o fato de Renan ter sido govesnista nos últimos três governos (Collor, FHC e Lula) já depõe, e muito, contra ele.

(Em junho de 2007)

O direito burguês

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 9:10

“Ao reivindicar o direito burguês de ir e vir, de escolha individual e ao definir os métodos dos estudantes e funcionários como “ditaduras da minoria”, fascismo, totalitarismo, autoritarismo, julgando-os como ações dos “filhos classe média campineira”, muitos de nossos mestres mostram o profundo desconhecimento da situação pela qual passam esses atores.”

Esse pessoal não aprende mesmo. Parece que está na terceira série ainda. Direito burguês de ir e vir? Tá bão, então.

(Em maio de 2007)

Contribuição obrigatória

Filed under: Brasil, Egotrip, Nonsense, Jornalismo — Carlos Eduardo Moura @ 9:04

Essa é nova pra mim: hoje, ao receber meu salário, fui informado de que parte dele foi destinada ao sindicato “que me representa como jornalista”. É isso aí: contribuição sindical obrigatória, regulamentada por lei e tudo mais.

Mesmo não sendo sindicalizado e não gostando nem um pouco daquele povo, tenho de pagar. Além do que já me é descontado pelo governo todo mês de INSS e FGTS (10%).

Como é mesmo aquela frase? “É por esse tipo de coisa que o país não vai pra frente”?

(Em abril de 2007)

Muito natural que tenha

Filed under: Brasil, Nonsense — Carlos Eduardo Moura @ 9:02

E no Brasil, tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?
Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Essa aí foi a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, em entrevista à BBC Brasil. Impressiona como ela não sabe sequer o que racismo significa, exercendo o cargo que exerce. “Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros.” Isso não é racismo. Isso pode ser tudo menos racismo. (E uma maioria é, necessariamente, numérica.)

Do Houaiss, sobre racismo: conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias; doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada pura e superior) de dominar outras; preconceito extremado contra indivíduos pertencentes a uma raça ou etnia diferente, considerada inferior; atitude de hostilidade em relação a determinada categoria de pessoas.

Entrando no mérito da questão, a declaração da ministra é essencialmente racista, embora ela diga não achar uma “coisa boa” ou não querer incitar ódio racial. Me lembrou um pouco dos que defendiam a escravidão como coisa natural e os negros como naturalmente inferiores.

(Em março de 2007)

Atentado contra o próprio povo?

Filed under: Mundo, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 8:36

Chávez é uma besta mesmo. E uma besta adepta de teorias conspiratórias, o que é pior. Ontem disse que foi o próprio governo dos EUA quem cometeu os ataques às torres gêmeas do World Trade Center. “A hipótese que ganha força é a de que foi o poder imperial americano mesmo que planejou e conduziu este terrível atentado terrorista contra seu próprio povo.”

Bem, o que dizer? Bush pode ser um completo idiota, mas não seria estúpido a tal ponto - aliás, rebater um comentário do tipo é mais estúpido ainda. Vou calar minha boca.

(Em setembro de 2006)

Se não der, é culpa do ET

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 8:34

Já estava sentindo falta das declarações sensacionais do nosso presidente Lula. Discursando no I Congresso Interamericano de Educação em Direitos Humanos, em Brasília, Lula se saiu com essa:

“Não sei se conseguiremos fazer tudo o que precisa ser feito (num próximo governo). Possivelmente, tenho dúvidas”.

Como assim? Possivelmente, tenho dúvidas? O que isso quer dizer? Possivelmente, nada.

Tá, tudo bem. Em frente, vamos lá. Mas e se não der, Lula?

“Não será por falta de esforço, de compromisso e lealdade aos princípios que nos fizeram chegar à Presidência que não vamos cumprir. Se não cumprirmos é por que haverá fatores extraterrestres”.

A melhor desculpa de todos os tempos. Imagino um político em um debate, falando que vai fazer isso, fazer aquilo, aquilo outro… E o entrevistador pergunta: “Mas o sr. vai conseguir cumprir tudo isso que fala?” O político: “Olha, se não cumprirmos é porque haverá fatores extraterrestres.” O entrevistador: “Ahh, claro! Fatores extraterrestres!”

(Em setembro de 2006)

Galera medonha

Filed under: Brasil, Nonsense, Política — Carlos Eduardo Moura @ 8:32

Ao invés de tirar um cochilo durante o almoço, como quase sempre faço, nos últimos dias resolvi assistir ao horário eleitoral. Sabe como é, ver um pouco de bizarrice é bom de vez em quando.

Genoino (PT) começou logo dizendo que nada foi provado contra ele (não sabia de nada, assinou sem ler etc.). Valdemar da Costa neto (PL) disse que optou por “recomeçar” sua vida política, pois cometeu o “erro” de aceitar “doações não contabilizadas” (como se fosse só isso).

E o Paulo Maluf (PP)? Não me lembro direito do que ele falou, mas tinha a ver com firmeza na política. E o adevogado do Coronel Ubiratan? Foi logo dizendo: “Fui adevogado do Coronel Ubiratan, votem em mim”.

E muitos candidatos a deputado federal falando em “ética na política” e “renovação” do Congresso. Tá bom.

Mas eu queria mesmo era ter visto o Paloffi. O que será que ele diria?

E o desesperado Mercadante (PT)? E o Lula, que diz que só vai a debate quando “a gente achar que interessa”? Sai desta alma, FHC!

(Em agosto de 2006)

O mundo já era

Filed under: Egotrip, Nonsense — Carlos Eduardo Moura @ 8:22

Você vê que a humanidade está perdida quando vê um sexagenário (ou próximo disso), veja bem, usando bandana e de rabo de cavalo. E a coisa piora quando você sabe que ele é esquerdista.

(Em junho de 2006)

Piquet dá a bunda pelo pé

Filed under: Nonsense, Jornalismo, Esportes — Carlos Eduardo Moura @ 8:16

É sensacional a história do título bolado pelo extinto jornal “Notícias Populares” (NP), quando Nelson Piquet sofreu um acidente em Indianápolis. No acidente, Piquet teve seu pé parcialmente destruído. Os médicos tiveram que usar um pouco de carne da região glútea (em outras palavras, bunda) do piloto para a reconstrução do pé.

Bom, até aí tudo bem. A manchete do NP vem agora:

“Piquet dá a bunda pelo pé”.

Infelizmente, o jornal não foi às ruas com esta manchete. Frias, o big boss do Grupo Folha, que controlava o NP, não deixou passar e teve que mandar parar a impressão no meio da noite.

Não deixou passar o título, mas a frase “Senna liga para hospital para dar seu apoio e Piquet manda dizer que não está” acabou saindo.

Que beleza!

(Publicado em maio de 2006)

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